Análise de trajetória e fatores determinantes da filiação sindical de trabalhadores no Brasil (2012-2022)

Sandro Pereira Silva e André Gambier Campos

 

 

Fonte: Silva, S. P., & Campos, A. G. (2025). Análise de trajetória e fatores determinantes da filiação sindical de trabalhadores no Brasil (2012-2022). RBEST Revista Brasileira De Economia Social E Do Trabalho7(00), e025014.

Resumo: Este estudo tem como foco o perfil do associativismo sindical de trabalhadores no Brasil, em uma conjuntura recente de mudanças nos planos político, econômico, social e institucional. Mais precisamente, os objetivos são: i) reconstruir analiticamente as transformações do sindicalismo, no cenário nacional e internacional; ii) decompor as variações do público filiado no Brasil conforme características individuais; e iii) verificar os indicadores da probabilidade de filiação de trabalhadores aos sindicatos de suas categorias em momentos diferentes no tempo. O horizonte temporal da pesquisa abrange o período 2012 a 2022, no intuito de compreender não apenas a trajetória de densidade sindical no Brasil como também avaliar possíveis determinantes para os resultados observados. As conclusões do estudo demonstram a complexidade envolvida em torno da temática do sindicalismo na atualidade.

Sumário: Introdução | 2. Método de análise quantitativa | 3. Resultados | Considerações finais

Introdução

Os sindicatos são entidades de representação classista que se inserem na dinâmica social a partir de um leque variado de questões relativas a condições de trabalho, remuneração,assistência  jurídica  e  bem-estar  de  trabalhadores  e  suas  famílias.  Eles  atuam  também  no registro de ocorrências que transgridam leis e demais acordos e convenções coletivas, bem como situações que atentam contra a integridade física e psicológica dos trabalhadores. Por suposto, todo esse poder de representação lhes garante, muitas vezes, um papel protagonista como mediador político em diferentes esferas de disputa.

Em  termos  de  construção  institucional  do  sindicalismo,  há  uma  significativa variação  entre  os  países,  embora  algumas  diretrizes  basilares  de direitos sindicais sejam convencionadas internacionalmente, sob mediação da Organização Internacional do Trabalho (OIT).  São  perceptíveis  também  variações  estruturais  ao  longo  do  tempo,  de  acordo  com fatores específicos da própria dinâmica de acumulação capitalista e as formas de mobilização dos trabalhadores com vistas ao atendimento de suas demandas (L. M. Rodrigues,2009). 

Para  aprofundar  a  compreensão  da  relevância  do  sindicalismo  em  determinada nação, algumas variáveis são bastante úteis. Uma das mais comuns na literatura refere-se à taxa  de  filiação  de  sua  população  ocupada,  assumida  como  indicativo  da  capacidade organizacional  e  da  densidade  sindical  em  um  determinado  país  (Lehndorf,  Dribbush,  & Schulten, 2017).Diversos estudos abordam a relação entre nível de filiação (ou densidade) sindical e potencial de negociação coletiva para diferentes momentos da história brasileira (Cardoso, 2001,2014; Pichler, 2011; I. J. Rodrigues, 2015), inclusive sobre recortes específicos do tecido laboral: setoriais –da agricultura (I. J. Rodrigues & Ladosky, 2015) e da indústria (Campos, 2014a) –, diferenciais de gênero (Silva & Campos, 2014; Cusciano, 2025), juventude (Almeida et al., 2023; Campos, 2014b), entre outros.

Diante de tal panorama, este estudo tem como foco a filiação de trabalhadores a sindicatos  no  Brasil,  levando-se  em  conta  a  conjuntura  de  mudanças  recentes  nos  planos político, econômico, social e institucional.

 

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Sandro Pereira Silva e André Gambier Campos são pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)


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