Trabalho, Sindicato, Luta de Classes e Poder, no contexto do capitalista atual

Helder Molina

Fonte: DIAP

Resumo: Este artigo problematiza a contraditória e complexa relação dialética entre trabalho, sua historicidade e sua ontologia, como mercadoria, alienado, explorado X trabalho livre e emancipado, sindicato como intelectual orgânico, como escola de formação da consciência de classe, sindicalismo, diante da superexploração capitalista, luta de classes e poder.

Coerentes com o materialismo histórico e dialético, discutimos que a ruptura estrutural de um modo de produção, não é meramente um evento político, mas um processo social, um movimento prático de transformação, através do qual os trabalhadores adquirem uma percepção de sua existência social, enquanto, ao mesmo tempo, nega e destrói o sistema de dominação. 

Compreendendo o movimento sindical como sujeito histórico coletivo, analisamos a sua materialidade contraditória, a questão da identidade e consciência de classe diante da metamorfose da sociabilidade capitalista, a partir dos referenciais teóricos clássicos e contemporâneos, o papel histórico e imediato dos sindicatos e do movimento sindical.

Busco, assim contextualizá-lo historicamente, sua necessidade, contradições, possibilidades e limites, como instrumento de classe na luta pela construção de um projeto societário de transformação econômica, social e política, na perspectiva da emancipação humana.

A atual crise capitalista implementou uma lógica destrutiva nas economias, nas sociedades e principalmente nos movimentos sociais organizados no Brasil e no mundo. Uma enorme ofensiva desregulamentadora que busca a eliminação ou enfraquecimento dos direitos históricos dos trabalhadores. Seria caso de questionar a validade e existência dos sindicatos, a não ser para negociar o preço das mercadorias força de trabalho e trabalhador, no balcão do mercado capitalista? A realidade atual sinaliza um declínio da instituição sindical? A crise não é do sindicato, mas de um modelo deste, superado pela complexidade da luta de classes contemporânea?  

 

Sumário: 1. HISTORICIDADE E ONTOLOGIA DO TRABALHO NA FORMAÇÃO SOCIAL CAPITALISTA | 2. SINDICATO COMO INTELECTUAL ORGÂNICO: ESCOLA DE FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DE CLASSE? | 3. SINDICALISMO DIANTE DA SUPER EXPLORAÇÃO CAPITALISTA  E SEUS ELEMENTOS REGRESSIVOS

1. HISTORICIDADE E ONTOLOGIA DO TRABALHO NA FORMAÇÃO SOCIAL CAPITALISTA

Ao produzirem as condições para viver, os homens e mulheres constroem as relações sociais, criam as formas de organização dessas relações e alimentam as possibilidades de conservar e ou transformar a vida social existente. Historicamente existem diferentes formas de produzir e reproduzir a vida social. Vivemos em uma forma específica de produzir a vida em sociedade, o capitalismo.

Na formação social capitalista, o trabalho foi transformado em mercadoria (Marx, 1993) Ou seja, os trabalhadores para sobreviver, trocam a sua capacidade de trabalho por salário. E este, é transformado em mercadorias que representam parte das condições das quais os trabalhadores poderão satisfazer as suas necessidades básicas (e outras tantas), e a variedade de mercadorias criadas pelas mãos humanas parece ter chegado a números quase incalculáveis.

O trabalhador, sujeito fundamental da produção da riqueza social é submetido a um processo progressivo de empobrecimento, e pressionado a incorporar na sua formação, informações que em nada asseguram seu ingresso no mercado de trabalho ou ainda, sua permanência neste.

Assim, é impossível e inaceitável confundir essa força com quaisquer outros meios existente de se executar tarefas, ainda que os capitalistas insistam em tratar o cavalo, o tear mecânico, o vapor, o motor a combustão, a energia elétrica, o telefone e a força humana como equivalentes, pois a eles o que interessa é apenas o resultado da produção, ou seja, o aumento de suas taxas de lucros.

O trabalho, em sua forma original, passou por séculos de metamorfoses – das formas primitivas de relação com a natureza e de atuação sobre ela como imperativo de sobrevivência, ao artesanato e agricultura, até as corporações de ofício da Idade Média e da transição para a Idade Moderna, aos modernos sistemas industriais de fábricas -, atingindo o complexo sistema de exploração que hoje conhecemos.

Com efeito, ao final do século XX, a humanidade experimentou um extraordinário avanço científico e tecnológico e, sob a hegemonia do capital, houve mais destruição do que bem-estar. As contradições provocadas pela sua mundialização (Chesnaiss, 1998), atingem o conjunto da humanidade.

A nova base técnica do trabalho, produto da extraordinária revolução eletrônica, produz robôs, máquinas informatizadas que, como nunca, podem aumentar a produtividade e a qualidade da produção, prescindindo de milhões de cérebros e braços, ao mesmo tempo em que ampliam a exploração e a precarização dos trabalhadores empregados e produzem um contingente absurdo de desempregados.

 

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Helder Molina é licenciado e bacharel em História (Universidade Federal Fluminense), mestre em Educação (Universidade Federal Fluminense), doutor em Políticas Públicas e Formação Humana (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), pós doutor em Educação (Universidade de Brasília), professor de Economia Política, e de Políticas Públicas, da Faculdade de Educação da UERJ


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