Raio X mostra fraqueza estrutural do emprego

Fotografia: Amanda Perobelli/Reuters

Outra tragédia é a informalidade do trabalho, que faz com que se reduza cada vez mais os trabalhadores que contribuem para a Previdência Social. O pico do ano passado é ilusório.

Luis Nassif

Fonte: GGN
Data original da publicação: 28/10/2021

Confira o resumo do último dado de emprego da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (PNAD). O trimestre jun-agosto de 2021 registrou 13,7 milhões de pessoas desocupadas, equivalente a 13,2% da força de trabalho.

Em relação ao trimestre anterior – de março a maio de 2021 – houve uma redução de 1,8 milhão de pessoas. Foi a resultante do aumento da Força de Trabalho em 2,3 milhões de pessoas e da população ocupada, que aumentou 3,5 milhões.

Imagem: GGN

Se atrasar um pouco mais o relógio e se compara o quadro atual com 7 anos atrás, fica assim:

  • a Força de Trabalho aumentou 5,6 milhões de pessoas;
  • mas a população ocupada diminuiu 1,3 milhão de pessoas;
  • a população subocupada aumentou 16 milhões de pessoas;
  • e a população desocupada aumentou em 6,9 milhões.

Por qualquer ângulo que se analise, é uma tragédia.

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No próximo gráfico, há um quadro mais amplo da subocupação no país, desde o primeiro trimestre de 2012.

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Confira como ficou a geração de emprego por setor em relação ao trimestre anterior.

O maior aumento de vagas foi no setor de comércio e reparação de veículos, que ficou praticamente paralisado na maior fase da pandemia. 

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Em sete anos, setores que registraram crescimento de empregos são de baixa qualificação, como Transporte, Armazenagem, Alojamentos e Alimentação e Administração Pública. O pior desempenho foi da Indústria, que perdeu 1,90 milhão de trabalhadores no período.

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Aqui se percebe melhor a tragédia do emprego. Partindo de março-maio de 2016 como base 100, calculou-se o crescimento da população economicamente ativa e da força de trabalho ocupada. Para atender à necessidade de empregos, a Força de Trabalho ocupada teria que ter crescido 7,2%, Em vez disso, caiu 4,1%. A defasagem, portanto, ficou em 11,3%.

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Outra tragédia é a informalidade do trabalho, que faz com que se reduza cada vez mais os trabalhadores que contribuem para a Previdência Social. O pico do ano passado é ilusório. Em um primeiro momento, houve a demissão dos trabalhadores informais. O nível do emprego caiu, mas aumentou a proporção de formais sobre o total. Depois, voltou a queda aguda no percentual de trabalhadores que contribuem para a Previdência.

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Luis Nassif é jornalista, editor do Jornal GGN. Autor, entre outros livros, de Os cabeças de planilha (Ediouro).

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