OCDE: inflação brasileira é uma das maiores do mundo, PIB será de 0,6% em 2022

Imagem: AGPhotography/Shutterstock

A inflação registrada no Brasil é uma das mais elevadas do mundo, mesmo tendo apresentado recuo, segundo relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A variação média do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) entre os países do G20 passou de 8,5% registrados em abril para 8,8% em maio de 2022. Contudo, a variação acumulada no Brasil em 12 meses atingiu 11,7% em maio.

A variação média da inflação entre os países que integram a OCDE chegou a 9,6% em maio, o maior patamar desde agosto de 1988. Em abril, o IPC tinha ficado em 9,2%.

Entre os países que compõem o G20, grupo dos países mais ricos, a inflação ao consumidor do Brasil só está atrás da Turquia, Argentina e Rússia.

Em relatório, a OCDE explica que a guerra na Ucrânia “anulou as esperanças de um fim rápido do aumento da inflação devido aos gargalos de fornecimento relacionados ao covid-19 vistos em toda a economia global durante 2021 e início de 2022”.

Juntos, Rússia e a Ucrânia são responsáveis por cerca de 30% das exportações globais de trigo, 20% para milho, fertilizantes minerais e gás natural e 11% para petróleo – commodities que aumentaram de forma acentuada após o início do confronto.

Sem ação, há alto risco de uma crise alimentar. As interrupções no fornecimento estão aumentando, ameaçando particularmente os países de baixa renda que são altamente dependentes da Rússia e da Ucrânia para alimentos básicos.

Com os orçamentos públicos esticados por dois anos da pandemia, esses países podem lutar para fornecer alimentos e energia a preços acessíveis para suas populações, arriscando fome e agitação social.

“O aumento nos preços das commodities e possíveis interrupções na produção terão consequências significativas. O forte aumento dos preços já está minando o poder de compra, o que forçará as famílias de baixa renda em todo o mundo a reduzir outros itens para pagar as necessidades básicas de energia e alimentos”, ressalta a OCDE.

PIB de 0,6% para o Brasil em 2022

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta também um PIB em torno de 0,6% para o Brasil em 2022, antes de voltar a crescer e atingir 1,2% em 2023. Mesmo assim, os dados são inferiores à recuperação de 5% vista em 2021.

A OCDE diz que tanto a queda do poder de compra da população como a eleição presidencial programada para outubro são fatores a serem acompanhados de perto pelos analistas.

“A recuperação do mercado de trabalho tem sido lenta; a taxa de participação e os rendimentos reais do trabalho permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia”, diz o texto, ressaltando que as incertezas eleitorais tem mantido o investimento moderado até 2023.

Sobre a retomada brasileira no segundo semestre de 2021, a OCDE diz que isso se deve ao efeito de uma campanha de vacinação bem-sucedida, que ajudou a atividade econômica a se recuperar, puxada pelo setor de serviços.

“No entanto, a inflação mais alta, as condições financeiras mais apertadas e o spread da Omicron, contribuíram para a menor confiança do consumidor e do sentimento empresarial no início de 2022”, diz o relatório da organização.

Entidade recomenda melhora nos gastos e foco no mercado de trabalho

Em abril, a inflação anual atingiu quase 12%, seu valor mais alto em dezoito anos. O aumento dos preços dos alimentos, combustíveis e energia corroeu significativamente o poder de compra das famílias.

“Como a guerra na Ucrânia levou a um aumento ainda mais acentuado nos preços dos alimentos e da energia, aumentar o apoio por meio de programas de proteção social bem direcionados é fundamental para proteger os mais vulneráveis”, ressalta a OCDE.

“Devido à deterioração do sentimento econômico e ao ambiente doméstico e global desafiador, as perspectivas de crescimento são limitadas em 2022 e 2023. O crescimento do PIB deve desacelerar consideravelmente este ano, para 0,6%, antes de subir para 1,2% em 2023”, diz o documento.

Para reversão desse cenário, a entidade defende a adoção de esforços para a melhora do direcionamento e da eficiência dos gastos públicos, de forma a “permanecer consistente com uma gestão fiscal sólida”.

Além disso, a OCDE recomenda o reforço de políticas ativas do mercado de trabalho para facilitar a realocação de desempregados, a exploração de outras fontes de energia (como eólica e solar) e a manutenção do aperto monetário caso os fatores que impulsionem a inflação sejam persistentes.

Fonte: GGN e GGN
Texto: Tatiane Correia
Data original da publicação: 07/07/2022

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