Mulheres unidas pela geração da vida, do trabalho e da renda

Ilustração: Sara Wong

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 2021), a taxa de desemprego no Brasil, entre março e maio de 2021, foi de 14,6% na população nacional, representando cerca de 15 milhões de pessoas economicamente ativas no país. Enquanto não há oportunidade no mercado para 33 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, o trabalho por conta própria vem freando o desemprego, mas não o número de pessoas enquadradas abaixo da linha da pobreza, que atinge hoje 12,8% da população brasileira.

A reportagem é de Luiz Felipe B. Lacerda, secretário executivo do OLMA, publicada por Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida – OLMA.

No mercado formal ou nos processos de geração de trabalho e renda alternativos, as mulheres representam uma forma diferenciada de viver e produzir. Subjugadas pela histórica divisão social e de gênero no mundo do trabalho, consequentes vítimas de discriminações, impeditivos machistas e remunerações desvalorizadas quando comparadas aos valores recebidos por homens que desempenham as mesmas funções, elas resistem e ensinam sobre uma resistência esperançosa.

“Mulheres ganham, no Brasil, em média 74,5% do rendimento dos homens, situação pior para as mulheres negras que ganham em média 40% do rendimento dos homens brancos.” (PNAD, 2014, IPEA)

De acordo com o DIEESE (Departamento Intersetorial de estatística e Estudos Econômicos 2021), no terceiro trimestre de 2021 a força de trabalho feminina contava com 1.106 mil mulheres a menos do que no mesmo trimestre de 2019, o que significa que parcela expressiva de trabalhadoras saiu do mercado de trabalho durante a pandemia e ainda não havia retornado em 2021.

É neste cenário desafiador que a Economia Solidária, uma vez mais na história do Brasil, apresenta-se como alternativa, não apenas de geração de trabalho e renda, mas de reconstrução de vínculos e fortalecimento de protagonismos.

A Economia Solidária, desde a década de 1990, vem apresentando-se como um espaço alternativo e eficiente de gerar renda, trabalho e dignidade, porém, atualmente, frente ao cenário político nacional, sofre progressivos ataques e regressões das conquistas institucionais alcançadas pela sociedade civil organizada nestes últimos anos.

“A Economia Solidária se apresenta como estratégia para geração de trabalho e renda e também de proteção social, promovendo autonomia econômica, que é compreendida como a possibilidade de ter condições e criar expectativas de ter uma vida com qualidade através do trabalho coletivo.” (UNISOL – Brasil – Central de Cooperativas de Empreendimentos Solidários, 2018).

Frente a este cenário o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA) une-se com o Programa MAGIS Brasil, evocado pela necessidade de realmar a economia através da Economia de Francisco e Clara, e ao Escritório de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Província dos Jesuítas do Brasil para mapearem, articularem e fortalecerem iniciativas de geração de trabalho e renda já desenvolvidas por diferentes obras sociais em todo território nacional.

Em 2021 foram mapeadas 19 iniciativas que foram convidadas para ciclos de diálogos onde puderam se apresentar institucionalmente dando a conhecer mais de perto, mutuamente, cada experiência. Ao longo destas apresentações iniciais, no primeiro semestre daquele ano, sistematizou-se a necessidade de prosseguirmos com essa colaboração de forma mais efetiva principalmente em duas direções: articulando com o setor de comunicação da Província a construção de um material institucional que gere visibilidade as ações, projetos e produtos destas iniciativas; e o aprofundamento nas trocas de experiências referentes as formações cidadãs e técnicas já desenvolvidas. Então uma segunda rodada de apresentações ocorreu, ao longo do segundo semestre de 2021, com foco exclusivo nos processos de formação que as obras realizam com o público atendido nos projetos de geração de trabalho e renda.

Fruto deste processo, ao longo de 2022 consolidou-se a construção de um projeto unificado que busca subsídios para insumos às formações e produções desta Rede Nacional de Geração de Trabalho e Renda. Além disto, o projeto avança por intercâmbios e visitas técnicas entre as participantes das iniciativas gerando coesão e fortalecimento de todo o coletivo a partir da experiência destas empreendedoras, em cada território. São mulheres de São Paulo (SP), Teresina (PI), Cascavel (PR), São Leopoldo (RS), Jaboticaba (BA), Recife (PE), Boa Vista (RO), Montes Claros (MG), Capim Grosso (BA), Cariacica (ES), Natal (RN) e Belém (PA), interligando 12 estados da Federação. São potentes iniciativas protagonizadas por mulheres que beneficiam diretamente aproximadamente 5.400 pessoas.

Vem nascendo uma nova rede, nacional, feminina, de geração de trabalho e renda, de afetos e fortalecimentos, no coração da justiça socioambiental da Província dos Jesuítas do Brasil. Vai se fortalecendo uma resistência esperançosa que ecoa de cada território, grupo e comunidade. Ecoa uma voz feminina que nos ensina outras formas de ser e produzir, de estar em coletividade, em um mundo predominantemente individualista, machista e injusto.

Fonte: Brasil de Fato RS, com IHU
Data original da publicação: 21/07/2022

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