
Matéria do jornal O Globo sobre fatores que incidem sobre o baixo desemprego mostra que, às vezes, o excesso de ingredientes (e de ingredientes ruins) azeda o bolo.
João Guilherme Vargas Netto
Fonte: Vermelho
Data original da publicação: 05/02/2026
Às vezes, o excesso de ingredientes (e de ingredientes ruins) azeda o bolo.
Foi o que constataram os leitores da versão impressa de O Globo do domingo (1º), cuja manchete na capa — procurando explicar a taxa historicamente baixa de desemprego não a atribuindo somente ao crescimento do PIB —, dizia que “do digital à lei, fatores estruturais redesenham o trabalho”.
Para demonstrar a tese, a jornalista Mayra Castro, cumprindo a pauta em matéria de página inteira, descreveu a nova dinâmica de um mercado redesenhado, com o desemprego estacionado no piso, com cinco fatores explicativos.
Diligentemente a jornalista foi ouvir “especialistas” no assunto e de suas elucubrações resumiu os cinco fatores: 1) Demografia; 2) educação; 3) digitalização; 4) plataformização e 5) regras trabalhistas.
Posso aceitar, com ressalvas, os quatro primeiros — apesar da generalidade envolvida neles —, mas impugno fortemente o quinto fator: a deforma trabalhista de 2017.
Para minha satisfação, o próprio gráfico do desemprego reproduzido no corpo da reportagem desmentia esse fator causal porque sua incidência não afetou a curva alta e horizontal nos governos de Temer e Bolsonaro, passando pela pandemia.
Somente a partir da retomada do crescimento, a curva de desemprego cai, obviamente apesar da deforma.
Já que estamos lendo jornais impressos, quero destacar no Valor de segunda-feira (2) o registro dos 90 anos de salário-mínimo no Brasil, pelo artigo do professor João Saboia, artigo que merece ser reproduzido em todos os sistemas de comunicação sindicais.
João Guilherme Vargas Netto é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo

