Cooperativismo de plataforma: sugestões de políticas públicas

Fotografia: Hal Gatewood/Unsplash

O grupo canadense Cultural Workers Organize publicou um novo relatório sobre cooperativismo de plataforma, com sugestões de políticas públicas, inclusive para os setores de cultura e comunicação. A coordenação é de Greig de Peuter.

Algumas questões centrais do relatório Co-operatives, Work, and the Digital Economy: A Knowledge Synthesis são: quais grupos de trabalhadores se voltaram para o modelo cooperativo na economia digital? As cooperativas teriam a capacidade de mitigar a precariedade, aprofundar o engajamento dos trabalhadores e combater a desigualdade na economia de plataformas, especialmente no setor de tecnologia e nas indústrias criativas digitais? Se as cooperativas seriam um meio promissor para melhorar os meios de subsistência e democratizar o trabalho, quais são os obstáculos para aumentar sua aceitação? E quais iniciativas e políticas foram criadas para promover a infraestrutura cooperativa na era digital?


Principais achados
 

  • O interesse pelo modelo cooperativo está crescendo particularmente entre três grupos de trabalhadores: trabalhadores por plataformas nos setores de transporte, entrega e cuidado; trabalhadores das indústrias criativas digitais que estão formando cooperativas de trabalhadores em diversas áreas, como desenvolvimento de sites, games, design, comunicação e marketing. Nessas cooperativas, os trabalhadores-proprietários produzem conjuntamente bens e serviços digitais; cooperativas freelancers;
  • Embora muitas das cooperativas nesses campos sejam novas, pesquisas preliminares têm mostrado que as cooperativas são eficaz para capacitar os trabalhadores e mitigar a precariedade na economia digital. Os trabalhadores plataformizados podem receber uma compensação melhor de plataformas cooperativas do que de plataformas tradicionais. Cada vez mais, os trabalhadores das Big Tech protestam publicamente por serem designados para projetos cuja ética eles discordam. Em cooperativas de tecnologia, por outro lado, os trabalhadores-proprietários podem opinar sobre quais clientes e projetos vão assumir;
  • Ao realmente dar voz aos trabalhadores nas decisões de negócios, as cooperativas são mais propensas a usar a tecnologia para melhorar, em vez de degradar, as condições de trabalho. Os membros das cooperativas podem optar por limitar o número de trabalhadores em uma plataforma, reduzindo potencialmente a pressão competitiva sobre os salários e proteger a qualidade do emprego. Algumas cooperativas de tecnologia se especializam na produção de software para tomada de decisão democrática no local de trabalho;
  • Apesar de sua promessa de melhorar a qualidade do trabalho, a capacidade e a presença das cooperativas na economia digital são limitadas por desafios estruturais, incluindo acesso ao capital, conhecimento público sobre as cooperativas, concorrência e apoio ao desenvolvimento de negócios.
  • As cooperativas exigem um ecossistema de apoio para florescer. Esforços inovadores para ajudar as cooperativas a começar, sobreviver e escalar na economia digital estão surgindo. Por exemplo, sob a bandeira de “saída para a comunidade”, seus defensores estão explorando maneiras de: a) converter empresas de tecnologia existentes em propriedade da comunidade; b) melhorar o acesso das cooperativas ao investimento sem prejudicar sua estrutura democrática. Além disso, há a adoção do modelo de federação por plataformas cooperativas, onde cooperativas individuais agrupam recursos e configuram infraestrutura compartilhada para atender às necessidades mútuas dos membros. As cooperativas em um setor comum podem reduzir os custos de tecnologia por meio da propriedade federada das infraestruturas digitais
  • O Canadá é um local de inovação cooperativa na economia digital. Os exemplos incluem: Stocksy United, uma plataforma de fotografia de propriedade de artistas; Eva, uma cooperativa de motoristas; a Coopérative Belvédère, agência de comunicação de co-propriedade de trabalhadores e clientes; e Hypha, uma cooperativa de trabalhadores de serviços de tecnologia

Sugestões de Políticas Públicas

  • Aumentar a conscientização sobre as cooperativas, colocando o modelo de cooperativas em programas de fomento;
  • Construir conhecimento sobre o modelo cooperativo em locais estratégicos de formação de novos negócios, realizando workshops, organizados por associações cooperativas, em incubadoras tecnológicas, centros culturais e espaços de coworking;
  • Aprimorar o apoio ao desenvolvimento de negócios com financiamento público para projetos cooperativos, formando consultores no modelo cooperativo; alavancando e expandindo as capacidades de desenvolvimento de cooperativas de plataforma dentro das associações cooperativas; e estabelecendo incubadoras cooperativas;
  • Reduzir as barreiras para iniciar uma plataforma cooperativa formando federações cooperativas para desenvolver, manter e dividir os custos das infraestruturas digitais (As possibilidades são demonstradas pela CoopCycle, uma rede de cooperativas de entrega controladas localmente na Europa, e pela forma como diferentes cooperativas de crédito no Canadá compartilham infraestrutura bancária on-line de back-end);
  • Apoiar freelancers desenvolvendo cooperativas de serviços compartilhados que fornecem suporte comercial e facilitar o acesso às proteções sociais. A cooperativa de trabalhadores Smart, que opera em vários países europeus, é um exemplo;
  • Promover um ambiente propício para negócios cooperativos priorizando cooperativas em programas de compras públicas com base em seus resultados sociais benéficos;
  • Construir maior capacidade de intercooperação criando redes de cooperativas digitais para co-treinamento e co-licitação em projetos além do escopo de uma única cooperativa;
  • Aumentar o capital inicial disponível para projetos de cooperativas digitais desenvolvendo estruturas de investimento sob medida para as cooperativas que combinam contribuições de fundos públicos, cooperativas estabelecidas e investidores sociais;
  • Aprofundar a parceria entre cooperativas e sindicatos, identificando necessidades e oportunidades para o desenvolvimento conjunto de plataformas cooperativas e cooperativas sindicais.

Fonte: DigiLabour
Data original da publicação: 24/05/2022

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *