Breque dos entregadores completa um ano: “Depois da greve, nada mudou”, avalia Galo

Paulo Lima “Galo”. Fotografia: Zé Bernardes

Neste 1 de julho, a histórica paralisação nacional dos entregadores de aplicativos completa um ano. À época, a categoria entregou às empresas do setor, Ifood, UberEats, Rappi e Loggi, uma série de exigências para melhorar a relação entre os trabalhadores e os empregadores. Um dos articuladores da greve, Paulo Lima, conhecido como Galo, conta que nada mudou, desde então.

Depois da greve, nada mudou. O imperialismo não manda mais tanque, manda a Lady Gaga. Os aplicativos fizeram um comercial no horário do Jornal Nacional dizendo que ‘a vida é uma entrega’, aí a classe média, que vive fechada numa bolha, se comove e acha que está tudo bem”, desabafa Galo.

Em entrevista ao Brasil de Fato, um dos fundadores do coletivo Entregadores Antifascitas relembra os dias seguintes à explosão da greve.

Confira a íntegra da entrevista no vídeo:

Quando eu disse que era difícil carregar comida nas costas de barriga vazia, não foi a esquerda que se aproximou de mim, foram os partidos de centro e de direita, porque a parada era meio assistencialista, aí apareceu o Luciano Huck”, conta Galo.

“Agora, quando eu falei que somos força de trabalho e não empreendedor, aí a esquerda se aproxima com força, porque tem uns códigos nas ideias. Mas eu não tenho mais pensado política da esquerda para a direita, mas sim de baixo para cima.”

Um ano depois, Galo segue trabalhando como entregador, mas agora faz entregas particulares. “Eu tô bloqueado em todos os aplicativos que eu trabalhava, faz tempo”. 

“O bloqueio branco é o clássico para te desestabilizar, eles não vão deixar de usar essa tática. Se você está dando trabalho, está se manifestando e dizendo que não aceita determinadas coisas, eles vão te bloquear. Aí você vai ficar pensando se valeu a pena.”

Galo também falou sobre a organização dos entregadores, que ele ainda não avalia que estejam coesos. “Demanda tempo para organizar essa categoria, é uma nova categoria. Era office-boy, virou motoboy e agora é entregador. A relação de trabalho mudou e a forma de organização terá que muda, demanda tempo.”

Fonte: Brasil de Fato
Texto: Igor Carvalho
Data original da publicação: 01/07/2021

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