A informação como principal ativo econômico do capitalismo contemporâneo

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Livro “O valor da informação” lança nova luz sobre a teoria marxista do valor-trabalho a partir da compreensão da informação como principal ativo econômico do capitalismo contemporâneo.

Fábio Palácio

Fonte: Blog da Boitempo
Data original da publicação: 04/07/2022

A incorporação da tecnologia como força produtiva, a partir das revoluções técnico-científicas e, em especial, da Terceira Revolução Industrial, colocou a informação no centro da problemática econômica. Que tipo de trabalho a produz? De onde vem o valor que incorpora? Trata-se de uma mercadoria como outras ou de um bem compartilhado? Qual é o papel das plataformas digitais no processo de valorização do capital? Por que os conglomerados financeiros detentores dessas plataformas estão entre os mais ricos do planeta?

Em torno dessas questões giram os capítulos de O valor da informação. Seus autores expõem as formas pelas quais o capital se apropria da informação – uma riqueza intangível, de natureza heurística, que só existe como pura atividade e relação sujeito-objeto. Essa riqueza, produzida sob as formas da ciência e da tecnologia, das artes e dos esportes, manifesta-se sob a forma do espetáculo, definido como “modo de existência da produção e do consumo no capital-informação”.

A abordagem lança nova luz sobre a teoria marxista do valor-trabalho. Reportando-se a Marx, o livro mostra que, como já dissera Walter Benjamin, o autor de O capital soube conferir à sua investigação valor de prognóstico. Ao analisar as relações fundamentais do capitalismo, Marx conseguiu, se não prever, ao menos vislumbrar, em seus traços gerais, as tendências futuras do sistema. É o que surge claro de conceitos marxianos como o de general intellect, ricamente examinado em O valor da informação.

Se no tempo de Marx, contudo, informação e cultura ainda viviam, em larga medida, a salvo das emanações do mercado, hoje se encontram sujeitadas a processos de acumulação que revelam a presença tentacular das relações capitalistas. É quando o capital, ao embrenhar-se por todos os poros da vida social, enseja modelos de apropriação como os direitos de propriedade intelectual e as licenças de acesso. Revestidos de novos traços, esses modelos remontam, contudo, a formas mais antigas, como a renda diferencial da terra.

Na tentativa de estender os limites naturais da jornada de trabalho, expandindo possibilidades de extração de mais-valor, o capitalismo se imiscui no tempo livre e nos espaços de fruição. Faz isso por meio da privatização maciça dos processos informacionais, agora inseridos na lógica da monetização de todos os aspectos da vida.

Como o leitor constatará, O valor da informação é uma fértil contribuição ao entendimento da informação como principal ativo econômico no contexto do capitalismo contemporâneo. Realidade que emerge cristalina de uma das frases síntese da obra: “O capital é a rede”.

Fábio Palácio é jornalista, doutor em Ciências da Comunicação (ECA-USP) e professor no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

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