Miguel Eduardo Torres, Ricardo Patah, Antonio Neto, João Carlos Gonçalves (Juruna), Francisco Canindé Pegado e Álvaro Egea
Resumo: A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 são demandas justas e urgentes, que só podem avançar articuladas à revalorização dos sindicatos, dos acordos e das convenções coletivas. Recorremos ao documento da 3ª Conclat, lançado em 2022, para evidenciar que a luta pela redução da jornada — atualmente impulsionada pelo mote do fim da escala 6×1 — está inserida em uma luta social mais ampla. Trata-se de um documento que demonstra a relevância e o dinamismo do debate e reafirma o sindicalismo como uma força indispensável para a justiça social e a proteção dos direitos trabalhistas no mundo contemporâneo.
Sumário: Introdução: A escala 6×1 é sinal da desregulamentação no mundo do trabalho | Sobre o desenvolvimento nacional | Exploração e alienação | A experiência de 1985 | Recessão e resistência | A luta pelo fim da Escala 6×1 | Considerações finais: ou do desenvolvimento nacional e da valorização global do Trabalhador
Introdução: A escala 6×1 é sinal da desregulamentação no mundo do trabalho
Os trabalhadores e suas organizações são alvos preferenciais no mundo capitalista que, a cada fase histórica, agrava as dificuldades e restrições impostas. No Brasil, a Reforma Trabalhista de 2017 é um exemplo cabal deste ataque. Ela é expressão de como o capitalismo avança produzindo ampla retirada de direitos e opressão ao povo que vive do salário.
Entre todos os retrocessos promovidos pela Reforma (Melo, 2024) – que não são poucos e dizem respeito à jornada de trabalho, ao pagamento, à saúde e segurança, entre outros – o violento ataque aos sindicatos é o mais grave. E o motivo é muito objetivo: ao enfraquecer os sindicatos, a Reforma, tramada por um Congresso dominado por interesses empresariais, busca eliminar o poder de organização, luta, reivindicações e conquistas dos trabalhadores. Busca eliminar também o poder de fiscalização e daqueles que zelam para que os direitos conquistados aconteçam.
Soma-se a isso uma constante campanha antissindical, difundida pelas ideias dominantes, pela imprensa, por políticos de direita e até mesmo por alguns nichos de esquerda e da intelectualidade.
Esse movimento segue obedecendo aos desmandos do mercado, subjugando o povo, o desenvolvimento nacional e a própria identidade do país. Ainda assim, os sindicatos resistem, presentes no cotidiano de todos os trabalhadores amparados pela CLT.
A bandeira pelo fim da Escala 6×1 surge em meio a tais adversidades e ainda sob plena vigência da Reforma de 2017, a partir do questionamento de um trabalhador que conseguiu furar a bolha das redes sociais.
O Movimento Sindical recebe com admiração e apoio seu clamor, mas, com a experiência acumulada diante da luta e das artimanhas do mercado e de seus agentes, cabe colocar o debate em seu devido eixo. Contextualizá-lo em meio a tantas perdas ocorridas desde 2017. E mostrar que o Trabalhador e o Mundo do Trabalho devem ser compreendidos de forma global.
Clique aqui para continuar a leitura deste artigo
Miguel Eduardo Torres é presidente da Força Sindical
Ricardo Patah é presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT)
Antonio Neto é presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)
João Carlos Gonçalves (Juruna) é secretário-geral da Força Sindical
Francisco Canindé Pegado é Secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT)
Álvaro Egea é secretário-geral Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB)

