Escala 6×1 e a saúde de trabalhadoras e trabalhadores

Monica Simone Pereira Olivar

Resumo: O artigo pretende abordar os impactos da escala 6×1 na saúde de trabalhadoras e trabalhadores, apresentando dados de afastamentos de saúde, acidentes e agravos relacionados ao trabalho, compreendendo que a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário é um eixo estruturante de promoção da saúde nos ambientes de trabalho.

Sumário: Introdução | Saúde Mental e Trabalho | Acidentes e Agravos Relacionados ao Trabalho | Considerações finais

Introdução

“O reino da liberdade começa com a redução da jornada de trabalho”, afirma Marx no Livro III de O Capital (Besancenot e Löwi, 2021), enunciando a luta operária pela suspensão do cotidiano. Todavia, é o reino da não liberdade que se expande com a célere e cruel mudança do mundo do trabalho na contemporaneidade cuja concretude se denuncia em cartazes dos atos e mobilizações pela Vida Além do Trabalho (VAT). 

As mudanças no mundo do trabalho, que exigem uma legislação atualizada, não trouxeram uma jornada menos exaustiva para os trabalhadores no Brasil, ao contrário, regrediu com a Reforma Trabalhista aprovada em 2017 (Lei 13.467/2017) (Brasil, 2017), que flexibilizou ainda mais a jornada. 

6×1 que prevê seis dias de trabalho consecutivos seguidos por um dia de descanso, nesse contexto pós-reforma trabalhista de 2017, demanda revisões legislativas, políticas públicas de proteção ao trabalhador e iniciativas que promovam a saúde do trabalhador e da trabalhadora. 

No campo da Saúde do Trabalhador, a diminuição da carga horária reduz a exposição a ambientes e condições potencialmente insalubres (Souza, 2024). Estudos da Organização Mundial da Saúde e OIT apontam que jornadas prolongadas aumentam o risco de doenças e acidentes de trabalho. Em maio de 2021, a OMS e a OIT divulgaram o primeiro estudo que quantificou a carga de doenças cardíacas e derrames atribuíveis à exposição a longas jornadas de trabalho, cerca de 750.000 mortes. Esse estudo estabeleceu que as longas jornadas de trabalho são o fator de risco associado a maior carga de doenças relacionadas ao trabalho. Estudos internacionais anteriores, já associavam longas jornadas de trabalho a riscos como estresse crônico, distúrbios do sono e redução da produtividade (EUROFOUND, 2017).

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Monica Simone Pereira Olivar é doutora em Serviço Social pela UERJ, assistente social e professora do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (CESTEH/ENSP/FIOCRUZ). E-mail: monica.olivar@fiocruz.br


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