Assembleia criaria primeiros escritórios regionais do departamento, sediados em MG, RJ e RS.

Guilherme Daroit
Fundado 24 anos antes, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) começaria a se espraiar pelo Brasil, oficialmente, em 1979. Em 30 de novembro daquele ano, a assembleia geral nacional de sócios criaria os três primeiros escritórios regionais do departamento, instalados em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, estados que já possuíam interlocução com o Dieese. O movimento, em meio ao renascimento do movimento sindical brasileiro, daria início à configuração nacional da entidade, que se consolidaria nos anos seguintes.
Organizado nos anos 1950 em São Paulo, o Dieese chegava ao fim dos anos 1970 estruturado em seu papel de apoio ao sindicalismo e em seu caráter técnico-científico, cimentado em estudos estatísticos e socioeconômicos. Em 1977, o departamento ganhara notoriedade ao denunciar a manipulação dos dados oficiais de inflação divulgados pelo governo.
A confirmação dos cálculos paralelos do Dieese, que comprovava a defasagem salarial infligida pela Ditadura Militar aos trabalhadores, credibilizaria o departamento, cujos estudos passariam a ser demandados por mais sindicatos. A descoberta, aliás, reaqueceria os ânimos das entidades sindicais que, nos anos seguintes, retomariam o ciclo de greves e conquistas interrompido desde o golpe militar de 1964.
Nesse contexto, a articulação de sindicatos de fora de São Paulo ganharia tração. No Rio Grande do Sul, o Dieese inclusive já iniciaria a pesquisa do custo da cesta básica de alimentos em janeiro de 1977, ainda antes da presença institucional na região. Até ali, eletricitários, bancários e a federação da alimentação bancavam um posto avançado do órgão em solo gaúcho, mesmo sem a chancela para a criação de um escritório oficial. O posto possuía direção provisória, que fomentava a filiação de outros sindicatos na busca por garantir a criação da seção regional.
Em Minas Gerais, em março de 1978, puxados pelos metalúrgicos, bancários, jornalistas e petroleiros, os sindicalistas fariam o mesmo movimento. No dia 5 daquele mês, foi levada adiante a criação de um a sucursal do Dieese para os mineiros, sediada no sindicato dos jornalistas, que manteria sua condição provisória.
Por fim, ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro também se articulava a organização do departamento. Agricultores, metalúrgicos, eletricitários, petroquímicos e economistas ligados à causa sindical buscavam reviver movimento que já havia sido tentado ainda em 1963, quando um escritório do Dieese chegou a ser aberto no estado, até ser fechado pelos militares após o golpe do ano seguinte. Dessa vez, a seccional fluminense renascia robusta, com maior participação e alocada no Sindicato dos Bancários.
Com as três iniciativas em andamento, caberia à assembleia nacional de sócios do Dieese formalizar a fundação dos escritórios regionais. A aprovação, então, viria no encontro de novembro de 1979, oficializando as seções nos estados e abrindo o caminho para que outras bases sindicais seguissem a mesma via.
Nos anos seguintes, gaúchos, mineiros e fluminenses consolidariam a atuação do Dieese em seus estados, aumentando o número de filiados e abrindo subseções do departamento em sindicatos.
Por outro lado, o Dieese não pararia por aí. Uma nova rodada de criação de escritórios regionais aconteceria dois anos depois, em novembro de 1981, oficializando a chegada do departamento em Pernambuco, Santa Catarina e Distrito Federal. Nos anos seguintes, outras seccionais também seriam viabilizadas, levando o Dieese a atingir 18 estados brasileiros – com exceção do Mato Grosso, todos os demais seguem atuantes. Atualmente, são 17 os escritórios regionais do departamento, presentes em todas as regiões do Brasil.
Guilherme Daroit é jornalista e bacharel em Ciências Econômicas, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, é diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região.

