Os coveiros do capitalismo

Ellen Meiksins Wood

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Fonte: História & Perspectiva, Uberlândia, v. 29, n. 55, p. 33-49, jul./dez. 2016.

TraduçãoFernando Pureza

Sumário: Definindo capitalismo | O que o capitalismo não é | O vazio da revolução burguesa | Os “marxistas políticos” | A loucura da inevitabilidade | Referências bibliográficas

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O “capitalismo” foi visto como uma palavra proibida nos últimos tempos, ao menos na política e na mídia dominante, que a trataram como um termo pejorativo de esquerda. O que nós vimos em seu lugar foram termos como “empresa privada”, “livre mercado” e outros similares. A palavra está novamente retomando seu lugar na linguagem cotidiana, mas seu significado tende a ser um pouco vago.

Diante da pressão por uma definição de capitalismo, a maioria das pessoas fará referência a mercados, trocas e comércio. Qualquer sociedade com uma atividade comercial bem desenvolvida, particularmente (mas não exclusivamente?) onde o comércio e a indústria fossem propriedade privada, seria vista como capitalista.

Algumas pessoas insistem em definir o termo mais precisamente. Eu sou uma delas – e nós fomos criticados por muito tempo por oferecermos uma definição tão precisa (discutirei mais sobre isso depois). Mas, parece-me que há vantagens em começar definindo claramente o que realmente distingue o sistema capitalista de qualquer outra forma social – ao menos se nós quisermos entender por que ele opera de um jeito, independentemente de estar em (relativamente) tranquilidade ou agitação.

Definindo capitalismo

Então, o que quero dizer com capitalismo? Capitalismo é um sistema em que todos os principais atores econômicos dependem do mercado para suas necessidades básicas. Outras sociedades tiveram mercados, frequentemente numa grande escala; mas somente no capitalismo é que a dependência do mercado tornou-se a condição fundamental para a vida de todos. E isso é igualmente verdade tanto para capitalistas como para trabalhadores.

A relação entre capital e trabalho é, ela mesma, mediada pelo mercado. Trabalhadores assalariados têm de vender sua força de trabalho para um capitalista simplesmente para conseguir ter acesso aos meios de subsistência e, até mesmo, aos meios para exercerem seu trabalho; e o capitalista depende do mercado para acessar o trabalho e conseguir, com isso, os lucros advindos do produto dos trabalhadores. É claro que há um enorme desequilíbrio de força das classes entre capital e trabalho, mas capitalistas não são menos dependentes do mercado para sustentarem a si mesmos e o seu capital.

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Ellen Meiksins Wood (1942-2016) foi uma historiadora que desenvolveu contribuições fundamentais para a teoria política marxista. Nascida em Nova York, Estados Unidos, foi por muitos anos professora de Ciência Política na Universidade York, de Toronto. É autora de vários livros, entre os quais se destacam A origem do capitalismo (2001), Em defesa da história (organizadora, 1999), The Pristine Culture of Capitalism (1992) e The Retreat from Class (1986), com o qual recebeu o prêmio Deutscher Memorial. [fonte dos dados biográficos: Boitempo]

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