Mercado de trabalho e a evolução dos salários no Brasil

Ricardo Summa

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política, Niterói, n. 42, p. 10-25, out. 2015/jan. 2016.

Resumo: No presente trabalho será avaliado o comportamento dos salários no Brasil nos anos 2000 a partir da abordagem da economia política clássica. Dessa maneira, avaliaremos algumas características políticas, institucionais e a situação do mercado de trabalho da economia brasileira e sua relação com os resultados das negociações salariais reais e da posição de barganha dos trabalhadores. Conclui-se, a partir da avaliação dos dados da economia brasileira, que houve um processo de mudança no poder de barganha dos trabalhadores e do crescimento do salário real (agregado e setorial), que se inicia em 2006 e perdurou até 2014.

Sumário: 1. Introdução | 2. A relação entre a inflação salarial e o desemprego | 3. A evolução do mercado de trabalho e das políticas sociais e institucionais no Brasil a partir dos anos 2000 | 4. Alguns indícios do aumento do poder de barganha dos trabalhadores nos meados dos anos 2000 | 5. Evolução dos salários reais no Brasil | 6. Considerações finais | Bibliografia

1. Introdução

O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho muito bom até 2014. No período de crescimento mais rápido, na segunda metade dos anos 2000, houve forte criação de emprego. Porém, mesmo após a desaceleração do crescimento a partir de 2011, e a relativa estabilização em um patamar mais baixo de crescimento do PIB, o mercado de trabalho continua se comportando de maneira bastante satisfatória (Amitrano, 2013), com razoável criação de empregos formais e com taxas de desemprego em patamares baixos, sobretudo se comparado à média do início dos anos 2000. Em conjunto com essa melhora no mercado de trabalho, algumas políticas e fatores institucionais também contribuíram para fortalecer a posição dos trabalhadores junto ao mercado de trabalho, como, por exemplo, as políticas de valorização real do salário mínimo e, por consequência, do seguro desemprego e outras transferências previdenciárias e sociais (Orair e Gobetti, 2010), além do aumento da cobertura de boa parte dessas transferências. (IPEA, 2012; Gouvea dos Santos, Leal; Silva Leão, 2013; dos Santos, 2013).

Partindo de uma abordagem baseada na ideia da economia política clássica, em que a determinação dos salários depende de características políticas e institucionais e que o sucesso das negociações e dos ganhos salariais reais depende da posição de barganha dos trabalhadores, analisaremos a evolução dos salários reais no Brasil a partir dos anos 2000 à luz dessa concepção teórica. O objetivo do trabalho, portanto, é discutir em que medida essa melhora do desempenho da economia brasileira recente, sobretudo no mercado de trabalho, e o desenvolvimento de algumas políticas de transferências de renda e de proteção social e trabalhista conseguiram alterar o poder de barganha dos trabalhadores e, por consequência, a evolução dos salários reais.

Dessa maneira, o trabalho se articula em mais quatro seções, além dessa introdução e da conclusão. Na próxima seção, discutiremos brevemente as conexões teóricas entre as condições do mercado de trabalho e a evolução dos salários. Na seção 3, apresentaremos e discutiremos os dados do mercado de trabalho e a evolução das políticas institucionais de seguro-desemprego e salário mínimo no Brasil. Na quarta seção, analisaremos alguns dados que demonstram a melhora da condição de barganha dos trabalhadores do Brasil a partir de 2006. Na seção 5, apresentaremos uma série de dados que mostram a evolução dos salários reais no Brasil no período recente. Considerações finais serão feitas na última seção.

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Ricardo Summa é Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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