França: greve dos intermitentes do espetáculo e dos ferroviários

Os intermitentes do espetáculo franceses realizam, nesta segunda-feira, uma jornada nacional de luta e greve contra os cortes na segurança social que o governo do presidente Hollande pretende fazer. Os ferroviários prosseguirão a greve, que começou na passada terça-feira, em defesa do serviço público.

Greve dos intermitentes do espetáculo ameaça a realização do festival de Avignon

Os intermitentes do espetáculo iniciaram uma luta contra a “reforma” do subsídio de desemprego, assinada por governo, confederações patronais (Medef) e alguns sindicatos não representativos em 22 de março. O acordo insere-se na política de austeridade do governo PS do presidente Hollande, visa fazer cortes no subsídio de desemprego e terá de ser aprovado pelo governo francês até ao final do mês de junho.

Para os intermitentes do espetáculo, a aprovação deste acordo significará um corte de 10% no subsídio de desemprego e o corte do subsídio de desemprego a cerca de 10% das pessoas que trabalham no setor.

Os intermitentes do espetáculo são 220.000 em França, englobando atores, músicos, coreógrafos e outros trabalhadores da cultura. O regime de segurança social dos intermitentes do espetáculo foi conquistado por estes trabalhadores em 1992 e beneficia cerca de 112.000 pessoas que trabalham no setor. Este regime garante o subsídio de desemprego nos períodos em que estes trabalhadores estão sem trabalho

Na passada terça-feira, os intermitentes do espetáculo manifestaram-se nus perante a ministra da Cultura em Guise. A luta destes trabalhadores está já afetar diversos espetáculos: o teatro Odeon em Paris encerrou, um festival em Toulouse foi suspenso e noutro em Montpellier foram cancelados diversos espetáculos. Jane Birkin cancelou a sua presença numa homenagem a Serge Gainsbourg em Montepellier e outras estrelas do espetáculo manifestam apoio à luta.

Na segunda-feira, 16 de junho, os intermitentes do espetáculo fizeram uma jornada de luta com greve nacional, mas têm programadas outras ações, que passam por afetar os múltiplos festivais que se realizam neste período em França, nomeadamente os festivais de Aix e Marselha, culminando no festival de Avignon – o mais prestigiado dos festivais franceses – e que tem início a 4 de julho.

Em defesa do serviço público ferroviário e dos direitos dos trabalhadores

Os trabalhadores ferroviários franceses iniciaram a sua atual luta na passada terça-feira e cumprirão nesta segunda-feira, 16 de junho, o sexto dia de greve.

Os trabalhadores lutam contra o plano de governo que começará a ser debatido pelo parlamento francês na terça-feira (16/06).

O governo pretende dividir a empresa pública do transporte ferroviário de França (SNCF) em três e abri-la à privatização, quer também reduzir o número de trabalhadores, desqualificar o trabalho e o serviço público e aumentar as tarifas. Os argumentos para este plano partem da decisão de Bruxelas de liberalizar o serviço ferroviário europeu e da suposta necessidade de combater o endividamento do setor e tratar do seu financiamento. Contudo, o plano não trata no concreto nem da dívida, nem do financiamento.

Segundo um artigo de Gilbert Garrel, secretário-geral da federação CGT dos ferroviários, publicado no jornal Humanité, os trabalhadores e as centrais sindicais que convocam a greve (CGT, UNSA e SUS rail) defendem: “… uma real unificação da SNCF” [com a RFF, empresa das infraestruturas], um plano para enfrentar a dívida, o financiamento e o desenvolvimento da rede com novos recursos, “outra organização da produção” e o desenvolvimento do transporte ferroviário de mercadorias como um serviço público, alternativo ao transporte rodoviário.

A luta dos ferroviários tem vindo a ampliar-se e, nesta segunda-feira, a sua greve coincide com o dia da realização, em todo o país, dos exames finais do ensino secundário, o que envolve quase 700 mil estudantes.

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Fonte: Esquerda.net
Data original da publicação: 15/06/2014

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