Desmercantilizar as plataformas: entrevista com Ursula Huws

Ilustração: Dave Arcade

Ursula Huws, professora da University of Hertfordshire, é uma das principais sociólogas do trabalho ao redor do mundo. Em 2003, já falava em cibertariado como expressão de um trabalho “virtual” – com muitas aspas – em um mundo real. Sempre defendeu a reinserção das materialidades dos sujeitos e das tecnologias em meio ao mito da economia imaterial, lembrando que, sem cabos e geração de energia, a internet não poderia ser acessada por ninguém.
 
Huws também criticou adjetivos como trabalho criativo (“por que esse desejo agora de classificar esses trabalhadores dessa forma?” no texto A Ignição no Motor) e a crescente adjetivação do capitalismo – de plataforma, vigilância, digital – entre outras expressões utilizadas para classificá-lo nos últimos vinte anos (no livro Labour in Contemporary Capitalism). Ela chega a citar Bon Jovi“é a mesma droga de música com uma melodia diferente?”. Ela também faz uma defesa da atualidade e da pertinência da teoria marxiana do valor, ressaltando a lógica rentista das plataformas e criticando percepções de que os usuários trabalhariam para as mídias sociais (texto Vida, Trabalho e Valor no Século XXI). Em 2017, a editora da Unicamp publicou uma versão atualizada de A Formação do Cibertariado, com excertos do livro Labor in the Global Digital Economy.
 
No mês de setembro, ela lançou seu novo livro, Reinventing the Welfare State: digital platforms and public policies. Alguns dos pontos principais da obra:
 

  • plataformização do trabalho tende a generalização e é o resultado de formas anteriores de organização, ressaltando o papel das avaliações externas em aplicativos, nas redes sociais e nas universidades;
  • A ideia de que os trabalhadores das plataformas seriam um tipo distinto na classe trabalhadora atraiu setores da esquerda, enxergando principalmente os entregadores, em sua maioria homens, como possível vanguarda, mas há uma multiplicidade de trabalhadoras em muitos tipos diferentes de plataformas, desde freelancers até trabalhadoras no setor de cuidados, com distintos marcadores sociais;
  • Em vez de pensar em níveis específicos de remuneração mínima ou status de emprego para entregadores, é preciso agir em prol de direitos generalizados para todos os trabalhadores rumo a proteção de emprego e salário mínimo nacional;
  • As coisas em comum entre os trabalhadores organizados e o exército reserva de desempregados ou em meio período deve propiciar a base para a reconstrução da solidariedade entre eles;
  • Há um ciclo vicioso do trabalho em plataformas, em que a necessidade por renda extra leva as pessoas a trabalharem por mais horas, deixando menos tempo para cozinhar e fazer trabalho doméstico, levando a um maior uso das plataformas, por sua vez, aumentando o trabalho precário;
  • Há a defesa de uma renda básica universal que seja realmente redistributiva e não entendida como uma mágica solucionadora de todos os problemas, devendo incluir outras medidas como o fortalecimento dos serviços públicos, salários mínimos mais elevados, apoio às lutas coletivas e taxação de grandes fortunas;
  • A autora também defende plataformas para o bem público, começando de baixo para cima desde as economias locais, ressiginificando todo o circuito econômico desde a base, começando devagar com pequenos pilotos;
  • Ela ressalta que as plataformas podem ser usadas não somente para melhorar as condições de trabalho, mas beneficiar as comunidades locais promovendo políticas de transporte urbano e outras lógicas de produção e consumo;
  • Há também a defesa de plataformas locais que forneçam serviços de cuidados, com integração ao sistema de saúde, e a integração das plataformas de entrega de alimentos com políticas mais amplas de alimentação. Isso significa também construir plataformas alternativas também para o trabalho freelancer. Isto é, o combate à generalização da plataformização com a construção de plataformas locais como modelos prefigurativos para todos os setores.

Confira a entrevista exclusiva de Ursula Huws ao DigiLabour:

DIGILABOUR: Em seu novo livro, você afirma que muitas das práticas das plataformas digitais relacionam-se a formas anteriores de organização do trabalho, como métricas de avaliações e ranqueamentos. Então, o que há de novo na plataformização?

URSULA HUWS: Este livro foi escrito em circunstâncias muito específicas, destinado principalmente ao público do Reino Unido no contexto da eleição geral do fim de 2019 à sombra do Brexit. Eu faço um quadro histórico e teórico mais amplo no livro Labor in Contemporary Capitalism: What Next?. Nele, eu descrevo como uma série de tendências pré-existentes alcançaram massa crítica após a crise financeira de 2007-2008, tornando-se dominantes, e, no processo, levaram à emergência de um novo paradigma normativo. Apesar disso, algumas tendências são anteriores a 2008. Podemos dizer que muitas datam da década de 1990, quando o colapso da União Soviética abriu o mundo inteiro para o capitalismo internacional. Isso marcou o início de uma era em que o exército industrial de reserva tornou-se, de fato, global. Os capitalistas foram capazes de acessar esse exército de reserva global de duas maneiras distintas: realocando empregos do Ocidente para o Sul Global (deslocalização industrial ou offshoring) ou fazendo uso de trabalho migrante do Sul Global no Ocidente. Esta é, obviamente, uma descrição extremamente simplificada, pois há muitas variantes entre as regiões e dentro delas. Essa tendência estava intimamente associada a outras, incluindo uma crescente concentração de capital – não apenas no Ocidente, mas também em países como China, Índia, Brasil e México, e uma elaboração de cadeias globais de valor. A crescente competitividade entre corporações levou a uma pressão para trazer produtos ao mercado rapidamente, levando a uma importância cada vez maior do trabalho logístico. Isso, por sua vez, esteve intimamente ligado à introdução das tecnologias digitais, o que permitiu simplificar e padronizar as tarefas, tornando os trabalhadores mais facilmente substituíveis entre si, ao mesmo tempo que possibilitou o monitoramento e o gerenciamento algorítmico. Juntas, essas tendências convergiram para produzir um novo modelo de trabalho que descrevi como logged – um termo que tem pelo menos três significados distintos em inglês. Primeiro, ele é fatiado, em um processo que às vezes é descrito como taskificação. Em segundo lugar, é registrado, no sentido de ser gravado, usando vários meios, incluindo vigilância GPS, gravação das teclas que o trabalhador está digitando, gravação da webcam, avaliações de clientes, com os resultados deste registro sendo usados ​​para desenvolver metas e indicadores de desempenho que são, então, usados para disciplinar os trabalhadores e aumentar a produtividade. Em terceiro lugar, o trabalhador é gerenciado por meio de plataformas digitais, o que significa que o trabalhador deve estar “logado” ou conectado para receber notificações de trabalho. No caso do trabalho “virtual”, envolvendo o processamento de informações digitais, o trabalhador também deve estar online para realizar as suas atividades.

DIGILABOUR: Quais desafios a generalização da plataformização do trabalho coloca para questões de regulação e políticas públicas, no sentido de necessidade de direitos para todos os trabalhadores?

HUWS: A plataformização do trabalho continua um processo de corte de direitos que, pelo menos nos Estados socialdemocratas do século XX, eram concebidos como universais. Essa universalidade nunca foi completa, é claro, mesmo nos Estados socialdemocratas mais avançados do Ocidente global. Por exemplo, as mulheres trabalhadoras e os trabalhadores migrantes não eram tratados da mesma forma que os homens e as pessoas que trabalham no próprio país de nascença. No entanto, até o “ponto de inflexão” que eu mencionei, nas economias ocidentais desenvolvidas era possível ver os setores onde o modelo de emprego dominante (branco, masculino, em tempo integral, protegido) não se aplicava como algo “marginal” ou “atípico”. A plataformização não deve ser vista como uma tendência abstrata que trata tudo em seu caminho da mesma maneira. Mesmo que o seu resultado final seja tornar o trabalho ao redor do mundo cada vez mais homogêneo, o contexto da plataformização apresenta um cenário muito diferente dependendo do setor ou da região em que ocorre. Nos lugares em que a plataformização é introduzida em setores formais de economias desenvolvidas, seu efeito é flexibilizar empregos que antes eram “padrão”, trazendo uma degradação das condições de trabalho para uma força de trabalho que, em outros tempos, era bem organizada e qualificada. Nos lugares em que a plataformização ocorre em setores que estavam há muito tempo na economia informal, seus efeitos podem parecer à primeira vista ser “progressistas”, no sentido de que podem trazer (pelo menos inicialmente) salários mais altos, algum tipo de autonomia, e uma inclusão em uma chamada “sociedade da informação” considerada moderna e dotada de competências que permitem a entrada no mercado de trabalho global. Na Índia, por exemplo, as plataformas online às vezes são vistas como uma forma de regular a economia informal e fazer cumprir padrões mínimos, incluindo salários mínimos. No entanto, na maioria dos países europeus, isso é visto como parte de uma “corrida para o fundo do poço” em termos de salários e condições de trabalho. Em outras palavras, em um nível mais geral, as primeiras formas de capitalismo podem ser vistas como um processo de mercantilização (o que Marx chamou de ‘acumulação primitiva), um processo que ainda está em curso em muitos setores e países, especialmente no Sul global. A socialdemocracia da metade do século XX no Ocidente poderia ser vista como uma forma de desmercantilização, lutando contra esse processo, no interesse de proteger os interesses da classe trabalhadora e elevar os padrões para todos. A virada neoliberal, a partir dos anos 1970, desencadeou um processo de remercantilização, que se deu, em parte, por meio da privatização e da terceirização de serviços públicos e, portanto, de alguma maneira vinculado à plataformização. As plataformas do século XXI, de escopo global, abrangem essas diferentes geografias, trazendo tanto a mercantilização quanto a remercantilização em configurações que variam dependendo do contexto local.

DIGILABOUR: Quais problemas você vê quando a esquerda romantiza a organização dos trabalhadores das plataformas?

HUWS: Há sempre o perigo – inerente a todas as perspectivas sindicalistas – de supor que, dado que os sindicatos podem organizar e representar com sucesso uma vanguarda de trabalhadores, isso poderia substituir uma perspectiva política mais geral para representar os interesses de toda a classe trabalhadora. A ação sindical pode ser crucial para ajudar a promover mudanças políticas, mas a organização sindical depende de certas pré-condições que não podem ser atendidas por todos os trabalhadores. Trabalhadores jovens, homens e articulados (como muitos, mas não todos entregadores) podem ser vistos como relativamente privilegiados em relação à organização dos trabalhadores em comparação com outros trabalhadores das plataformas digitais, como faxineiras, trabalhando na casa de outras pessoas, ou quem trabalha remotamente para plataformas online, isolados em suas casas. Os entregadores trabalham em espaços públicos com bags das empresas e guiados por algoritmos para se reunir em certos hotspots geográficos, tornando-os facilmente identificáveis ​​entre si. Alguns dividem este tipo de trabalho com alguma outra atividade (como ser um estudante ou um emprego de baixa remuneração, mas altamente qualificado, por exemplo nas indústrias criativas), o que significa que eles provavelmente terão boas habilidades de linguagem e comunicação, acesso às mídias sociais, bem como capacidade de pesquisar no Google algumas informações sobre seus direitos jurídicos e sobre as atividades de trabalhadores em outros lugares. Isso lhes dá um potencial considerável para se organizar, embora, como vimos, o sucesso da organização seja, na maioria das vezes muito limitado na prática. Mas, mesmo se tivessem sucesso na formação de sindicatos fortes, com limites de entrada e direitos negociados, tudo isso resultaria na criação de um grupo de elite de trabalhadores organizados, ao lado de vários outros. A fim de generalizar esses ganhos para que se apliquem universalmente em qualquer sociedade, é necessária uma ação política para estabelecer os direitos universais.

DIGILABOUR: Como, em sua visão, as plataformas digitais para o bem público podem prefigurar novos circuitos econômicos locais desde baixo – desde o setor de alimentação até os de cuidados e plataformas freelancer?

HUWS: A história da divisão técnica do trabalho não é apenas uma história sobre novas tecnologias sendo desenvolvidas para baratear o valor do trabalho e gerenciá-lo de forma a pressionar os trabalhadores. É também uma história de trabalhadores que usam essas tecnologias para seus próprios fins. Quando, no fim do século XVII, o capitalismo se tornou sofisticado o suficiente para exigir uma força de trabalho que fosse alfabetizada, por exemplo, ao longo do próximo século os trabalhadores fizeram um bom uso dessa alfabetização e da capacidade matemática para se comunicarem entre si por meio de sindicatos e de agitações políticas, bem como estabelecer instituições alternativas e cooperativas para compartilhar riscos e proporcionar benefícios mútuos. Da mesma forma, no século XX, eles fizeram uso das tecnologias de comunicação (como o telegrama, o telefone, o fax etc.) para organizar, se comunicar e construir instituições alternativas – incluindo algumas das instituições que prefiguraram o Estado de bem-estar social no século XX. Por exemplo, ao criar o Serviço Nacional de Saúde Britânico (NHS), seu fundador, da classe trabalhadora, Aneurin Bevan, foi inspirado pela Tredegar Workmen’s Medical Aid Society, fundada por mineiros e metalúrgicos no final do século XIX no País de Gales. Na década de 1920, esta sociedade empregava os serviços de cinco médicos, um cirurgião, dois farmacêuticos, um fisioterapeuta, um dentista e uma enfermeira. Por uma quantia extra a cada semana, os membros também podiam se beneficiar de tratamento hospitalar. Durante a depressão do período entre guerras, a sociedade continuou a oferecer serviços a pessoas desempregadas, embora elas não pudessem pagar por eles. Em meados da década de 1940, a sociedade fornecia cuidados médicos para 22800 dos 24000 habitantes da cidade. As tecnologias digitais do século XXI não são exceção e os trabalhadores tem recorrido a elas para desenvolver uma gama de modelos alternativos, por exemplo, estabelecendo cooperativas de trabalhadores para oferecer alternativas a plataformas como Uber ou Lyft e desenvolver alternativas mais justas (como Fairbnb) para plataformas de hospedagem como o Airbnb. Durante a pandemia de coronavirus, tem havido um enorme crescimento das iniciativas comunitárias oferecendo os serviços locais essenciais que não são disponibilizados pelos governos nacionais, por exemplo, distribuir alimentos para os idosos que estão confinados em casa ou oferecer serviços de cuidados ou transporte para doentes e idosos. Também tem havido uma série de iniciativas locais – de baixo para cima – projetadas para promover práticas de economia de energia para combater as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que há o desenvolvimento de novos serviços sociais, por exemplo, para organizar o uso de alimentos que seriam desperdiçados para fornecer refeições a pessoas desamparadas ou desabrigadas, para compartilhar ferramentas ou transporte, ou para distribuir fontes de energia renováveis. As redes sociais e outras plataformas digitais têm sido um apoio essencial na organização e promoção dessas iniciativas. O uso de celulares para registrar eventos e comunicá-los em tempo real também se tornou parte integrante da organização de protestos sindicais e políticos. Poderíamos dizer que as tecnologias das plataformas estão se tornando cada vez mais integradas às vidas da classe trabalhadora. Em vez de serem impostas de cima para baixo, plataformas locais alternativas poderiam ser desenvolvidas de baixo para cima, dando às comunidades locais um senso de propriedade e controle desses desenvolvimentos e garantindo que elas atendam genuinamente às suas necessidades.

DIGILABOUR: Você defende uma reinvenção do Estado de bem-estar social. Como fazer isso em países como o Brasil, que nunca viveram de fato um Estado de bem-estar social?

HUWS: Meu argumento no livro é muito direcionado ao Reino Unido, onde o Estado de bem-estar social que se desenvolveu em meados do século XX tornou-se agora um meio para redistribuição não dos ricos para os mais pobres, mas o contrário. Esse modelo tornou-se um novo e lucrativo campo de acumulação para o capital global, ao mesmo tempo em que falha em cumprir seus objetivos originais de fornecer direitos universais e meios de proteger as pessoas vulneráveis ​. Certas vertentes da esquerda britânica têm uma tendência nostálgica de romantizar o passado e defender um retorno ao modelo de meados do século XX. Meu argumento é que essa estratégia está fadada ao fracasso. Esse modelo não era apenas fatalmente falho em sua incapacidade de atender às exigências de igualdade de gênero, sustentabilidade ambiental ou direitos de migrantes, mas também está enraizado em um modelo particular de Estado-nação que não é mais sustentável na era do capitalismo global. Em vez disso, o que é necessário é o desenvolvimento de um novo modelo de Estado de bem-estar social adequado ao capitalismo digital do século XXI, que respeite os princípios de redistribuição e universalidade que fundamentam o modelo do século XX, mas assumindo formas muito diferentes. Como eu disse antes, o modelo do século XX nunca se aplicou a toda a população, mesmo nas socialdemocracias mais desenvolvidas do século XX, e em muitos países do Sul global isso se aplicou apenas a pequenas frações da classe trabalhadora. Contudo, não devemos esquecer países ou regiões como Cuba ou Vietnã que desenvolveram modelos alternativos. Como eu disse antes, embora pareça que estamos convergindo para um modelo global de relações capital-trabalho, o capitalismo de plataforma tem impactos muito distintos em diferentes economias, dependendo do grau de formalização e desenvolvimento econômico dos setores e regiões. Isso tem implicações para a relação específica que se desenvolve entre o Estado e as empresas internacionais, bem como para os tipos de regulação e fiscalização que podem ser implementados, abrindo espaço para novas iniciativas. Por exemplo, ouvi recentemente sobre um caso na Índia em que a administração de uma cidade lidou com o problema de fornecer alimentos para os cidadãos em isolamento social, permitindo que uma plataforma de entregas continuasse funcionando, mas somente com a condição de incluir em seu serviço a distribuição de alimentos fornecidos por vendedores ambulantes vindos da economia informal. As circunstâncias são, em muitos aspectos, um laboratório para o futuro. As conjunturas podem ser diferentes e as soluções locais que são progressistas em uma situação podem não o ser em outras. Os princípios importantes, entretanto, parecem-me permanecer semelhantes de forma ampla. Onde quer que estejamos no mundo, precisamos buscar um Estado em que as condições de trabalho sejam melhoradas, os direitos dos trabalhadores sejam protegidos, as regulações sejam aplicadas, os serviços universais estejam disponíveis para todos os cidadãos, que tenham, por sua vez, voz ativa sobre o que são esses serviços e como devem ser entregues. Assim como no século XX algumas nações ocidentais conseguiram atingir um grau de desmercantilização dos serviços que as ondas anteriores de desenvolvimento capitalista mercantilizaram, devemos agora procurar desmercantilizar o que o capitalismo digital contemporâneo está mercantilizando – e isso inclui não apenas serviços públicos, mas também a sociabilidade humana, os afetos e os recursos do planeta que ocupamos.

Fonte: DigiLabour
Data original da publicação: 04/10/2020

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