A territorialização do trabalho de mulheres em empresas terceiras: vida cotidiana e patriarcado

Carmen Lúcia Costa

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Fonte: Pegada, Presidente Prudente, v. 16, n. 2, p. 275-292, dez. 2015.

Resumo: O presente trabalho é produto de pesquisas que analisam o processo de feminização no mundo do trabalho como parte de uma estratégia de precarização crescente e profunda do sistema capitalista para com os trabalhadores e trabalhadoras. Neste trabalho o recorte é o trabalho feminino em empresas terceirizadas que prestam serviços na área de limpeza e segurança na cidade de Catalão, interior de Goiás, enfocando este processo associado ao crescente número de trabalhadoras neste ramo da economia formal. O objetivo é identificar como a precarização alcança e precariza a vida cotidiana das trabalhadoras, ao mesmo tempo em que abre a perspectiva de superação das atuais relações de gênero baseadas no patriarcado. A análise constrói-se a partir de um diálogo teórico no campo do marxismo e da pesquisa empírica com trabalhadoras através de questionários, entrevistas e diário de campo. A principal constatação é a de que as trabalhadoras servem de mão de obra barata para a expansão da acumulação de capital e degradação do humano na sociedade atual, mas também encontram no trabalho assalariado um caminho para a redefinição das relações patriarcais estabelecidas.

Sumário: Introdução | Gênero e o mundo do trabalho | Trabalho e vida cotidiana: as trabalhadoras de empresas terceirizadas em Catalão – Goiás | Considerações finais | Referências bibliográficas

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Introdução

O artigo apresenta algumas considerações sobre o mundo do trabalho da mulher a partir de pesquisas desenvolvidas no Grupo Dialogus– Estudos Interdisciplinares em Gênero, Cultura e Trabalho/UFG/CNPq, especificamente sobre trabalho feminino em empresas terceirizadas na cidade de Catalão no sudeste goiano. Este artigo apresenta, ainda, resultados de um projeto realizado no estágio pós-doutoral na Universidade de Juiz de Fora e que analisa o direito à diferença na reprodução do urbano, com ênfase no papel da mulher, o patriarcado e as transformações no mundo do trabalho. A tese que sustentamos é a de que a feminização é uma estratégia de precarização do mundo do trabalho e que esta precarização alcança a vida das trabalhadoras, reconfigurando as relações no espaço reprodutivo, precarizando a vida cotidiana. Neste sentido, a discussão se realiza a partir do mundo do trabalho e do patriarcado com enfoque para a terceirização e a relação destes elementos com a feminização em curso. Leituras sobre a temática em autores como Marx, Engels, Luxemburgo, Harvey, Hirata, Chamon, Silva, Santos, Saffioti, Scott, Lefebvre, Massey e outros/as, em várias obras, embasam a discussão. A análise é, também, uma somatória de experiências em diferentes pesquisas a partir de dados coletados através de questionários e entrevistas com várias trabalhadoras e na participação no movimento feminista onde convivemos com os problemas cotidianos enfrentados pelas trabalhadoras no espaço urbano, principalmente.

O debate torna-se necessário no atual momento de reestruturação produtiva em que a feminização do mundo do trabalho aparece como estratégia de precarização, colocando as mulheres em maior número no mercado de trabalho, porém em empregos parciais, temporários, terceiros, informais, ou seja, como mão-de-obra mais barata que é convocada a dar a sua contribuição para a superação de mais uma crise do capital. Com isso, cresce também o número de mulheres chefes de família e outras cujo salário é superior ao do homem ou a única fonte de renda das famílias, fatos que apontam para uma reestruturação das relações de poder e, consequentemente, de gênero.

Os resultados apresentados são produto de pesquisas com trabalhadoras de empresas terceirizadas de Catalão através da aplicação de cinquenta questionários e a realização de vinte entrevistas, além de anotações em diário de campo e acompanhamento da vida cotidiana de dez trabalhadoras em diferentes bairros da cidade. Todo o trabalho foi realizado fora do espaço de trabalho – na casa ou em lugares previamente marcados com as trabalhadoras – e com aprovação do comitê de ética da UFG.

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Carmen Lúcia Costa é Professora Adjunta da Universidade Federal de Goiás – Regional Catalão – Unidade Acadêmica de Geografia. Professora do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFG/Regional Catalão.

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