Correios: por que lutar contra a privatização

Fotografia: SintecMG

Após a Eletrobrás, os Correios estão na mira da onda de privatização. Na última quinta-feira (8), o governo Bolsonaro deu mais um passo para concretizar seu perverso plano, com a entrega do relatório do projeto de lei que trata da “desestatização”, que já está sendo avaliado pelos líderes no Congresso e pode entrar em votação ainda neste mês.

Mas agora, em vez de “fatiar” a empresa pública, o superministro Paulo Guedes trama a devastação total: vender 100% do capital da estatal. Mas a quebra do monopólio dos Correios para a entrega de cartas, telegramas e malotes (que ainda respondem por grande parte da receita da estatal, já que os serviços de encomendas já competem também ao setor privado) é apenas uma das faces da privatização.

O livro Correios, logística e usos do território brasileiro (Consequência Editora, 2021), lançado este mês por Igor Venceslau, mestre em Geografia e autor de Outras Palavras, onde mantém a coluna Outras Cartografias, mostra em profundidade como os Correios vão muito além do serviço postal de qualidade e com preços justos. Empresa pública construída ao longo de 357 anos, ela tornou-se o principal agente de integração do território nacional no quinto maior país do planeta, que conta com 5570 municípios agrupadosmuitos deles que dificilmente seriam contemplados por serviços do privado.

“Fundamentado em exaustiva e rigorosa pesquisa científica, envolvendo levantamento bibliográfico, consulta a bases de dados e trabalhos de campo”, como aponta o Ricardo Castillo, professor do Instituto de Geociências da Unicamp, no prefácio do livro, o autor mostra como a eficiência dos Correios, empresa pública lucrativa mas que não se pauta apenas pelos lucros, tornou-se instrumento para políticas de inclusão social e geográfica. Os exemplos são muitos: entrega de vacinas, distribuição de livros didáticos, realização de avaliações como o ENEM, eleições, emissão de documentos, serviços bancários etc.

Por trás do desvario de privatizá-la, estão corporações internacionais interessadas o ascendente crescimento do e-commerce: hoje, 3 em cada 4 mercadorias compradas pela Internet são entregues pelos Correios, que é a única opção para a maioria dos municípios, como mostra Venceslau. O livro, importantíssimo para compreender toda a complexidade dos Correios, aponta este “golpe” — e que entregar uma empresa pública estratégica ao privado significará mais que a elevação do serviço postal; pode provocar um “apartheid social e geográfico” no Brasil. Será preciso articulação de organizações sociais e ampla mobilização popular para frear a privatização dos Correios.

Você pode assistir aqui a gravação da live de lançamento do livro e aqui ler trecho da obra.

Fonte: Outras Palavras
Texto: Rôney Rodrigues
Data original da publicação: 13/07/2021

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