Ameaça de redução de direitos e de privatizações preocupa bancários

Cerca de 80 agências e centros administrativos de bancos não abriram ao longo da sexta-feira (10/06). Segundo o Sindicatos dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, mais de 10 mil trabalhadores foram abrangidos pelo protesto que teve como mote a defesa dos direitos ameaçados pelo governo interino e a fragilização das empresas públicas visando à privatização.

“Não é justo que o trabalhador pague pela crise. Quem tem que fazer sacrifícios são os que podem mais e o governo, não o trabalhador que paga muito imposto e não recebe quase nada em troca”, criticou uma bancária do Bradesco. “Paramos contra a retirada de direitos, contra os ataques à Previdência, contra o que eles chamam de ‘negociado sobre o legislado’, que significa mexer em qualquer coisa prevista na CLT, como jornada, férias, horário de almoço… Contra outra grande ameaça que é a terceirização sem limites”, disse a presidenta do sindicato, Juvandia Moreira.

Funcionária do Itaú há 13 anos, uma bancária do Centro Administrativo Brigadeiro manifestou preocupação. “Se deixar para decidir tudo negociando com o patrão, não vamos ter aumento, férias, benefício nenhum. Quem precisa do emprego aceita qualquer acordo”, disse. “Em direitos adquiridos não se mexe. E se a lei permitir, os bancos vão terceirizar tudo. Eu mesma trabalhei em uma área que nunca imaginei que seria terceirizada, e o Itaú terceirizou. Uma área que você precisa de muito conhecimento. É o lucro a qualquer custo.”

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto Von der Osten, lembrou que mesmo cidadãos que apoiaram o impeachment da presidenta Dilma Rousseff estão contra a reforma da Previdência, que significa mais tempo para se aposentar. “Não concordam também que seja possível negociar direitos em detrimento da lei. Imagine numa crise, o patrão dizer ao trabalhador que seu lucro diminuiu e que por isso os empregados vão ter de trabalhar mais e ganhar menos?”, questionou.

“Os bancários perceberam o perigo das ameaças e estão dando um recado aos empresários, ao Congresso, ao governo interino de Temer, de que não vamos pagar o pato”, disse Juvandia, alertando também para as ameaças de privatização que pairam sobre as empresas públicas, como Banco do Brasil e Caixa. “Os bancos públicos são fundamentais para o país, para o financiamento imobiliário com taxas menores que as do mercado, para a execução de programas sociais, e também para que a gente tenha um sistema financeiro mais equilibrado.”

A paralisação foi definida em assembleias realizadas em centenas de locais de trabalho nos dias 2, 3 e 6 de junho. Dos 14.941 funcionários que votaram, 81%, disseram sim para a participação no ato.

‘Uma notícia pior que a outra’

“É um horror. Cada notícia que a gente vê é uma pior que a outra, seja abertura de capital, seja fusão, que é para diminuir número de agências e de empregados. Se for privatizar, é horrível, abrir capital também não é bom, é um primeiro passo para a privatização. Ninguém está feliz”, afirmou uma bancária da Caixa, expondo a sensação de grande parte dos bancários de bancos públicos com as numerosas medidas e intenções anunciadas pelo presidente em exercício desde 12 maio.

As agências da Caixa e do Banco do Brasil na região da Paulista não funcionaram, assim como o prédio da Superintendência do Banco do Brasil, onde os trabalhadores estão apreensivos e repudiam a notícia de uma eventual fusão entre os bancos públicos. “É muito ruim para os bancários e inviável do ponto de vista das empresas, porque elas têm características diferentes”, afirma um funcionário do BB, ao lado de uma colega com 18 anos de banco, que lembrou os anos FHC. “São dois bancos fortes, não tem porque fazer fusão. Os mais velhos não querem voltar àquela época em que ficamos oito anos sem reajuste, quando não tínhamos valorização.”

Antonio Cortezani, ex-funcionário do Banespa, vendido para o Santander em 2000, observou que não sobrou quase ninguém do antigo banco público de São Paulo. “O Santander dizimou o funcionalismo e conseguiu acabar com todas as suas conquistas e direitos. Para a sociedade foi terrível também, porque o Banespa financiava o pequeno agricultor, financiava o empresário, fomentava o desenvolvimento do estado, e o banco privado não tem interesse nisso”, afirmou o bancário, hoje no Santander.

“A imprensa está divulgando que a Caixa está quebrada para fragilizar a imagem do banco e convencer a sociedade de que precisa ser vendida, sendo que ela dá lucro”, disse um bancário. A Caixa superou no último semestre o Itaú Unibanco e assumiu o segundo lugar o ranking nacional, atrás apenas do BB.

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Fonte: Rede Brasil Atual, com informações de spbancarios.com
Data original da publicação: 10/06/2016

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