17 de fevereiro de 1851: nasce o líder sindical francês Raymond Lavigne, responsável pela proposta que viraria o Dia Internacional dos Trabalhadores

Há 170 anos, nascia o líder sindical francês Raymond Lavigne, responsável pela proposta que viraria o Dia Internacional dos Trabalhadores

Raymond Lavigne. Fotografia: Le Maitron

Igor Natusch

Hoje pouco lembrado fora de seu país natal, o político e sindicalista francês Raymond Lavigne teve papel muito importante na luta operária europeia da segunda metade do Século XIX, ajudando a consolidar elementos hoje fundamentais no imaginário de ativistas em todo o mundo. Nascido na cidade de Bordeaux em 17 de fevereiro de 1851, foi um dos principais proponentes do 1º de maio como data simbólica para manifestações – um processo que, com o passar do tempo, evoluiria até ganhar forma no Dia Internacional dos Trabalhadores.

De ideologia socialista, Lavigne esteve profundamente envolvido na organização de sindicatos clandestinos, antes que uma lei de 1884 os autorizasse pela primeira vez em solo francês. Mais tarde, foi figura importante para o surgimento da Federação Nacional de Sindicatos (em tradução livre do original francês), primeira central sindical da França e que começou a atuar em 1886. A partir de 1888, foi secretário-geral da entidade, cargo que ocupou (sempre por aclamação e sem apresentar candidatura) até 1902. Conhecido entre seus pares pela tenacidade e disciplina, entrou para a história sindical francesa como um organizador nato, sem maior paixão pela oratória, mas determinado como poucos na hora de viabilizar congressos e na realização do trabalho de base. 

Sua maior contribuição à luta operária em escala mundial viria em julho de 1889. Durante o congresso em Paris que daria início à chamada Segunda Internacional, Lavigne propôs formalmente que fosse estabelecido um dia global de luta dos trabalhadores, tendo como principal bandeira a adoção da jornada de trabalho de 8 horas diárias. A moção foi aprovada, e a escolha do 1º de maio se deu, neste caso específico, em homenagem aos chamados mártires de Chicago, que foram duramente reprimidos pela polícia em um evento que ficou conhecido como a Revolta de Haymarket. A data também traz em si uma longa conexão simbólica com a mudança, tanto na tradição dos EUA quanto no folclore de várias regiões da Europa, o que reforçava o caráter global da iniciativa. Hoje transformado em feriado oficial em vários países, o Dia do Trabalhador segue sendo um dos elementos centrais na mobilização sindical em todo o mundo.

Militante do Partido Operário Francês, Raymond Lavigne se alinhava ideologicamente aos chamados guesdistas, afiliados às ideias do socialista Jules Guesde e contrários a qualquer iniciativa de caráter reformista, vista por eles como capitulação ao capitalismo. Também contribuiu para publicações operárias da época, em especial para o La Question Sociale, onde chegou a ser chefe de redação. Após décadas de atuação, em meio a um período de grandes divisões no pensamento à esquerda na França, cessou todas as atividades militantes em 1921, mantendo uma vida calma e afastada das turbulências políticas até seu falecimento, aos 79 anos, em 24 de fevereiro de 1930. Um de seus filhos, Alexandre Lavigne, também se destacaria na militância socialista, sendo nome significativo nas lutas populares francesas no período entre guerras.

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