Trabalhadores menos qualificados e residentes de zonas pobres morrem mais de covid-19

Fotografia: John Tlumacki/Globe

A pandemia não faz distinções, face a ela somos todos iguais. A ideia foi repetida e fez escola. Mas os números de países como Inglaterra e País de Gales mostram uma realidade diferente. Em que a mortalidade atinge mais os trabalhadores menos qualificados, as zonas mais pobres desses países e as pessoas racializadas.

O jornal The Guardian detalha esses números. Segundo os dados recolhidos pelo Gabinete Nacional de Estatísticas do Reino Unido, nos dois países referidos, os homens com trabalhos manuais e pior pagos têm uma probabilidade quatro vezes maior de morrerem de coronavírus do que aqueles que têm salários altos e trabalhos de colarinho branco. Em cem mil pessoas, a taxa de mortalidade dos primeiros tem sido em média de 21,4, a dos últimos é de 5,6.

Os seguranças ocupam o topo da lista com uma taxa de 45,7 em cem mil, os operários fabris vêm a seguir com 37,7, depois estão os motoristas de táxi e de serviços afins com 36,4 e os motoristas com 26,4 depois. Os trabalhadores da construção tiveram uma taxa de letalidade de 25,9.

Cozinheiros, trabalhadores do setor dos cuidados e da limpeza também se encontram entre os mais fustigados.

Por sua vez, as mulheres que trabalham na prestação de cuidados têm duas vezes mais probabilidade de morrer das que trabalham em funções mais técnicas. Em geral, de acordo com estes números, a taxa de mortalidade das mulheres fica muito mais a baixo do que a dos homens.

Os sindicatos reagem com choque aos números. John Phillips, da central GMB, diz que são “aterrorizantes” e insta o governo a parar com o regresso ao trabalho até que “as normas, conselhos e capacidade de aplicação” cheguem aos locais de trabalho.

O mesmo jornal tinha já noticiado as diferenças de taxa de mortalidade entre as zonas mais pobres de Inglaterra e do País de Gales e as mais abastadas. Nas primeiras, a taxa de mortalidade é de 55,1 por cem mil habitantes, nas mais ricas é de 25,3.

As contas sobre as pessoas racializadas e de minorias étnicas apontam também para uma média maior quando comparada com a população branca. Uma das razões apresentadas é precisamente o fato de terem trabalhadores de maior risco os piores salários. Outra tem a ver com a comorbilidade. Por exemplo, a população negra tem mais casos de hipertensão e a diabetes é três vezes maior. Algo semelhante se passa com a população de origem asiática que tem quatro vezes mais diabetes.

Fonte: Esquerda.net, com ajustes
Data original da publicação: 12/05/2020

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