Sindicalistas debatem em Montevidéu democracia e direitos dos trabalhadores

DMT*

Entre os dias 31 de março e 2 de abril passado, Montevidéu, no Uruguai se transformou na capital mundial dos movimentos sindicais. A capital do Uruguai foi sede do Encontro Sindical Nossa América (ESNA) e recebeu mais de 70 organizações sindicais de 19 países (a maioria das Américas, mas Europa e Ásia também estavam representadas), com o objetivo de aprofundar o debate sobre a conjuntura mundial e a crise econômica que vem colocando em risco os direitos, a dignidade e a integridade de milhões de trabalhadores em todo o mundo. Estiveram presentes ao encontro as centrais sindicais brasileiras CUT, CTB e Intersindical.

Com o lema “Unidade de ação dos trabalhadores”, o encontro focou na criação de uma estratégia comum de resistência à forte ofensiva neoliberal que vem ameaçando direitos e garantias da classe trabalhadora em muitos países.

Entre as graves questões debatidas no evento, o destaque ficou para a defesa do direito à greve e a crescente criminalização das lutas sociais em curso nas Américas. Estes assuntos, bandeiras genuínas do movimento sindical e social, ganharam prioridade devido à crise política e econômica que têm agravado a condição de vida das trabalhadoras e trabalhadores em países como Uruguai, Honduras, Argentina, Brasil, entre muitos outros.

O encontro sindical também debateu os tratados de livre comércio, políticas de integração dos povos e a construção de estratégias de resistência e enfrentamento da ofensiva conservadora. Para o sindicalista uruguaio e coordenador político do ESNA, Leonardo Batalla, após mais de uma década de avanços, a classe trabalhadora na América se encontra agora em um momento decisivo. “Ou se aprofunda e fortalece seus vínculos com as grandes maiorias populares construindo uma alternativa rumo a uma sociedade mais justa e solidária ou se alia às elites nacionais, às multinacionais e ao imperialismo norteamericano, conduzindo nosso continente a um retrocesso histórico”, diz ele.

A CUT participou do encontro para relatar a gravidade do momento político que o Brasil vive com os ataques à democracia. “Denunciamos o golpe que está em curso e as ameaças que a classe trabalhadora sofre com esse golpismo”, destacou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. “Reafirmamos também a importância da solidariedade para a manutenção da democracia, não só no Brasil, mas para o conjunto dos países latinos americanos”, disse.

Para Divanilton Pereira, secretário de relações internacionais da CTB a representatividade do coletivo presente no ESNA revelou a importância que a Central deu ao evento neste momento de conjuntura adversa. “O encontro teve um resultado positivo, reviu paradigmas e formulou uma pauta concreta, com ações focadas na articulação unitária, defesa da democracia e valorização do trabalho: eixos fundamentais para a construção de uma nova proposta civilizatória”, afirmou.

Declaração de Montevidéu

Ao final do encontro, um documento foi produzido coletivamente com uma agenda de lutas e um forte compromisso de princípios, defesa e solidariedade entre as nações. A “Declaração de Montevidéu” contempla os principais temas de consenso entre os países.

Clique aqui para ler o documento.

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Com informações da CUT/RS e CTB/RS.

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