Resultado das negociações salariais em 2014

Clemente Ganz Lúcio

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Negociar as condições de trabalho e salariais para o conjunto dos trabalhadores é tarefa estratégica do movimento sindical. As lutas sindicais, especialmente as greves, fazem parte dos processos negociais. Os resultados alcançados são celebrados em convenções ou acordos coletivos.

O DIEESE, além de produzir subsídios para a atuação sindical nas mesas de negociação, faz formação sindical para preparar os negociadores e assessorá-los, pesquisa e sistematiza os resultados alcançados e, semestralmente, divulga essas informações. Para isso, mantém o Sistema de Acompanhamento de Informações Sindicais (SAIS), por meio do qual mapeia e analisa resultados de acordos e convenções – sistematizando reajustes e aumentos salariais –, os pisos das categorias e as greves realizadas.

Os resultados recentemente divulgados mostram que as negociações salariais em 2014 conseguiram conquistas para os trabalhadores. O painel acompanha 716 unidades de negociação distribuídas por setores econômicos, categoriais e regiões. A análise mostrou que 92% das negociações obtiveram aumentos salariais, 6% conseguiram repor a inflação do período entre as datas-base e apenas 2% não conseguiram alcançar a reposição integral da inflação.

A média dos aumentos salariais foi de 1,39%, superior ao observado no ano anterior, quando ficou em 1,22%, e é um dos três melhores resultados da série histórica do levantamento. Cerca de 60% dos aumentos salariais estão na faixa entre 1% e 3%.

Se for considerado que, em 2014, a inflação esteve mais próxima do teto da meta e houve maior dificuldade no desempenho do mercado de trabalho, em termos de geração de postos de trabalho, os resultados da ação sindical nas negociações salariais foram ótimos.

O contexto atual é de maior adversidade, por um lado, porque os choques de oferta, a crise da água e elétrica, a desvalorização cambial, entre outros, pressionam os custos das empresas e a inflação. De outro lado, a performance do mercado de trabalho indica queda na geração de postos de trabalho e desemprego em alguns setores. Neste cenário, a estratégia sindical deverá comportar a indicação de prioridades que combinem a proteção dos empregos e dos salários.

Haverá dificuldades, que podem ser prolongadas, o que exige clareza nas estratégias. Na luta mais ampla e geral, será preciso pressionar por uma política econômica que promova a mais rápida transição possível para uma trajetória de crescimento econômico. Por outro viés, é necessário, deixar muito claro aos empresários que a preservação dos empregos e dos salários significa sustentar a demanda interna, elemento essencial para mobilizar a própria atividade das empresas, bem como sustentar um patamar de crescimento econômico.

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Clemente Ganz Lúcio é sociólogo, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

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