Pequenos grandes avanços durante a busca do ritmo perdido

Eduardo Miguel Schneider

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O desempenho do mercado de trabalho metropolitano brasileiro em dezembro confirmou o enfraquecimento no ritmo de crescimento ocupacional ao longo de 2013, trajetória já delineada em análises anteriores. Para ilustrar, em dezembro de 2012, o crescimento ocupacional em 12 meses havia sido de 1,4%. Neste último ano, a expansão neste mês foi de apenas 0,6%.

Com isso, balanço do mercado de trabalho em 2013 não trouxe surpresas para quem acompanhava as últimas análises prospectivas realizadas neste espaço: pequeno crescimento ocupacional (0,4%), relativa estabilidade na taxa de desemprego (passou de 10,4% da PEA em 2012 para 10,3% no último ano) e pequeno aumento no rendimento médio real dos ocupados (1,5%).

Tomado em perspectiva temporal maior, o desempenho do mercado de trabalho em 2013 praticamente repete a forte estabilidade ocorrida no ano anterior. Vários indicadores registraram performance ainda mais estável nesse último ano frente ao período passado. Essas informações sugerem uma trajetória de acomodação do mercado de trabalho diante de uma conjuntura internacional desfavorável (recuperação lenta e difícil da crise de 2008), uma conjuntura interna marcada pela questão da inflação (aumento dos juros e contenção do ritmo de crescimento econômico), além do peso de vários anos de melhoria nos indicadores laborais (com a base de comparação em constante melhoria, os avanços passam a exigir maiores esforços relativos).

Infelizmente, essa acomodação ocorre ainda com taxas de desemprego de dois dígitos e um volume de desempregados que somou 2.148 mil trabalhadores nas regiões metropolitanas investigadas [*]. Mas, felizmente, também não há um viés de retrocesso. E, enquanto isso, o rendimento médio real aumenta, contribuindo para dirimir a forte desigualdade de renda existente em nosso País.

Em 2013, o crescimento de 78 mil trabalhadores na condição de ocupados foi somente suficiente para absorver os 75 mil indivíduos que ingressaram no mercado de trabalho neste ano. Por isso, a taxa de desemprego permaneceu relativamente estável em 2013, tal como ocorrido no ano anterior. No conjunto das regiões pesquisadas, a taxa passou de 10,4% da PEA em 2012 para 10,3% em 2013.

Mas tal estabilidade na taxa de desemprego total reflete movimentos diferenciados ocorridos nas regiões metropolitanas pesquisadas: se reduziu em Fortaleza, Porto Alegre e São Paulo e aumentou em Recife, Salvador e Belo Horizonte. Com isso, Salvador reafirmou-se como a região com maior taxa de desemprego entre as áreas investigadas (18,3%). Quanto a menor taxa de desemprego entre as regiões, houve alteração de posições. O aumento do desemprego em Belo Horizonte e sua diminuição em Porto Alegre determinou que a região metropolitana gaúcha passasse a registrar a menor taxa de desemprego no País (6,4%); tomando a posição por anos ocupada pela região metropolitana mineira.

O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados aumentou 1,5% em 2013, encerrando o período em R$ 1.611. Esse resultado mantém a trajetória de crescimento real dos rendimentos do trabalho observada nos últimos anos, não obstante no último ano tenha aumentado relativamente menos que no ano anterior, quando havia se expandido 2,4%.

A massa de rendimentos dos ocupados é a soma de todos os salários e remunerações que os indivíduos recebem pelo seu trabalho. Portanto, é o volume de recursos que os trabalhadores dispõem para consumo, pagamento de dívidas, etc. Nesse sentido, é um importante indicador de futuro da economia, visto que revela o seu potencial de consumo. Em 2013, a massa de rendimentos dos ocupados se expandiu em 2,3%, devido, principalmente, ao aumento do rendimento médio real. No ano anterior ela havia crescido quase o dobro (4,3%).

Assim, com o potencial de consumo quase estagnado (sobretudo pelo endividamento das famílias), com taxas de juros em crescimento (encarecendo o crédito para consumo e desfavorecendo novos investimentos) e diante de uma conjuntura econômica internacional que custa retomar o ritmo após a Crise de 2008, as perspectivas nesse momento são mais pessimistas se comparadas à expectativa otimista que havia no início do ano que agora se encerrou – notoriamente, parcialmente frustrada.

Mais informações: http://www.dieese.org.br/analiseped/ped.html

Nota

[*] Regiões metropolitanas pesquisadas: Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.

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Eduardo Miguel Schneider é mestre em Economia do Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); especialista em Gestão Pública Participativa pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

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