Pedidos de dispensa revelam empregos ruins

Os dados do Dieese sobre rotatividade no mercado de trabalho também mostraram um aumento nos pedidos de demissão em uma década. Em 2002, o fator era responsável por 16% da rotatividade; em 2012, respondia por 25%.

Para Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, os números evidenciam que nosso mercado tem empregos ruins. “O dado revela condições de trabalho e de salário que não são boas e que fazem com que o trabalhador busque outras oportunidades”, afirma.

O operador de telemarketing Roberto Pires (foto), 37, conhece bem essa realidade. Há dez anos na área, ele conta que já passou por oito empresas. Na maioria das vezes, saiu por iniciativa própria, porém, recentemente foi demitido. “Aqui em São Paulo, é comum ver colegas que ficam duas semanas, um mês no trabalho e logo saem”, diz.

Segundo Pires, as grandes dificuldades na sua área – que apresenta grande rotatividade – são falta de regulamentação da profissão, falta de treinamento para os funcionários, metas abusivas e o assédio moral dentro das empresas.

“É uma área em que as pessoas entram muito jovens, se deparam com essas barreiras e muitas vezes vão buscar outros empregos”, aponta. A regulamentação da profissão é uma das principais reivindicações do Sintratel (Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing).

Se a baixa qualidade das vagas é um problema, a alta nos pedidos de demissão revela um ponto positivo, ressalta Ganz Lúcio. “Mostra que o mercado está oferecendo um ambiente favorável para o trabalhador sair desses empregos e buscar algo melhor”, diz.

Ato contra as terceirizações

Na próxima quarta-feira, dia 9 de abril, as centrais sindicais realizam uma manifestação unificada em todo o país. Dentre as reivindicações estão a valorização do trabalho e o combate às terceirizações. Em São Paulo, o protesto começa às 10h, na praça da Sé.

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Fonte: Brasil de Fato
Texto: Mariana Desidério
Data original da publicação: 04/04/2014

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