O desgaste mental de motoristas de ônibus: um recorte de gênero

Autora: Tassia Bertoncini de Almeida
Orientador:Fabio de Oliveira
Ano:2018
Tipo:Dissertação de Mestrado
Instituição:Universidade de São Paulo. Instituto de Psicologia
Repositório:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Resumo:Esta pesquisa inscreveu-se no campo da Saúde Mental Relacionada ao Trabalho (SMRT). Intencionou investigar a relação entre o desgaste mental em mulheres motoristas de ônibus da cidade de São Paulo e a questão de gênero, ou seja, tendo como base a Teoria do Desgaste Mental, proposta por Edith Seligmann-Silva, pretendeu compreender as possíveis influências do gênero e de suas relações no processo de desgaste mental no trabalho. A metodologia foi qualitativa e se dividiu em etapas. A primeira consistiu em um período de observação do trabalho dessas motoristas. Na segunda foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, para que fosse possível acompanhar e compreender a organização do trabalho das motoristas, além de destacar os significados atribuídos ao trabalho e às relações de gênero vivenciadas e os impactos disso no processo de desgaste mental. Concluímos que os processos de desgaste das mulheres trabalhadoras do transporte têm particularidades que envolvem as questões de gênero. A estrutura física dos ônibus e terminais, a organização das linhas e as relações de trabalho afetam as mulheres e sua saúde de forma particular. A divisão sexual do trabalho e a conciliação entre trabalho doméstico e trabalho assalariado mostraram-se como um desafio para essas mulheres. Finalmente, o modo como elas veem a si mesmas e as outras mulheres também se mostrou como um fator central no processo saúde-doença.
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