Na Índia, a datilografia ainda sobrevive

O fim está próximo, embora possa não parecer numa manhã de terça-feira, quando dezenas de jovens indianos chegam para as aulas na escola de datilografia Anand Type, Shorthand e Keypunch. Ao olhar para as salas cheias, pode-se imaginar algum futuro para a datilografia na Índia, mas este é um dos últimos lugares do mundo em que ela está no dia a dia.

A Índia ainda tem alguns milhares de datilógrafos profissionais, além de lojas de reparos e que vendem peças. Além disso, há escolas de datilografia que se mantêm com procura. E regulações do governo ajudam a manter o setor. Mesmo o proprietário da Chawla Datilógrafos, Sunil Chawla, vai concordar com isso, ao manter o negócio mesmo sem lucros:

— Achamos que o negócio ia durar para sempre. Vou manter ele vivo enquanto eu puder. Mas depois de mim não sei o que vai acontecer. Não há futuro nesse negócio — diz Chawla, cujo pai fundou a loja há 60 anos, mas que trabalha sozinho hoje, já que os filhos não querem participar do negócio.

As pessoas continuam mandando máquinas de escrever para o conserto, mas a maior parte do trabalho hoje é vender peças para copiadoras.

Mas não se sabe até quando.

Em uma área perto da Bolsa de Nova Déli, datilógrafos ainda sobrevivem trabalhando nas ruas e preparando contratos de aluguel, de venda e outros documentos legais.

— Venho aqui hoje apenas passar o tempo. Era um bom trabalho, ficávamos da manhã até à noite — diz Satinder Kumar, de 65 anos, que trabalha no Tis Hizari há 41 anos e conseguiu criar dois filhos.

Na Índia, a datilografia era um sinal de educação, de sucesso profissional e um símbolo do nacionalismo. No país em que os empregos no governo são tão importantes, algumas vagas ainda são disputadas através de testes de datilografia, apesar do uso do computador.

No passado, eram centenas de escolas de datilografia, mas as coisas começaram a mudar nos anos 2000 com o crescimento da economia e o barateamento dos computadores. Em 2009, fechou a última fábrica de máquina de escrever.

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Fonte: O Globo
Data original da publicação: 23/01/2017

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