Medidas de austeridade agravaram a pobreza na Grécia

As medidas de austeridade aplicadas na Grécia desde o começo da crise aumentaram as desigualdades e agravaram a situação dos mais pobres, segundo conclui uma pesquisa que, paradoxalmente, pertence a um dos principais responsáveis, o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O relatório intitulado “Política Orçamental e Desigualdade de Rendimentos”, mostra que as políticas de ajuste neoliberais afetaram de forma drástica sobretudo os 10% da população com menor renda, fundamentalmente devido à redução do limite para isenção de impostos de 12 a cinco mil euros.

Entre 2008 e 2012, este setor da sociedade viu sua renda reduzida em mais de 15%, enquanto em outros países com situações similares como a Espanha, Portugal ou Itália essa redução ficou em torno de cinco porcento, o que indica que as medidas aplicadas na Grécia foram especialmente duras.

O Primeiro vice-diretor-gerente do FMI, David Lipton, afirmou durante a apresentação do estudo que o forte impacto sobre os setores mais fracos não foi tanto devido aos conteúdos do programa de ajuste fiscal, mas à forma que foi aplicado.

Lipton reconheceu que, a curto prazo, as medidas acordadas conduziram a uma redução do emprego e da produção, afetando os que contam com menor renda, mas que de qualquer maneira era responsabilidade do governo mitigar os efeitos nocivos gerados pelos cortes orçamentais.

À margem de suas desculpas, o FMI não pode ocultar que suas receitas destinadas a melhorar a competitividade da economia grega não cumpriram seu objetivo e, no lugar, deixaram o país em pior situação e com uma deterioração crescente nas condições de vida de seus cidadãos.

Segundo um recente relatório do Banco da Grécia, um terço da população está abaixo de um nível de vida básico (23,1%), ou no limite da pobreza e da exclusão social (11,5%), devido às políticas aplicadas supostamente para acabar com a crise.

A pobreza quase duplicou em termos absolutos entre os anos 2010 e 2012, e o número de pessoas que vivem em lares onde nenhum dos membros trabalha, ou trabalham menos de três meses ao ano, passou de 545 mil a mais de um milhão, o que representa 16,1% da população em idade economicamente ativa, durante o mesmo período.

Também o número de desocupados de longa duração, aqueles que levam mais de 12 meses sem emprego, mostrou uma vertiginosa ascensão desde o começo da crise, pois dos 185.500 registrados em 2008, aumentou para 955.600 em 2013.

As consequências podem ser observadas em todos os âmbitos da vida social, desde a queda do consumo interno e a quebra constante de milhares de pequenas empresas, até as crescentes dificuldades de cada vez mais cidadãos para enfrentar suas obrigações tributárias ou compromissos financeiros com os bancos.

Também ficou impossível pagar a conta de luz, pelo menos para os quase mil lares diários que durante 2013 ficaram sem eletricidade por não poder pagar suas contas, o que supõe um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

Mais dramático é o aumento no número de pessoas sem casa, famílias inteiras que ficam na rua; do número de suicídios ou de crianças e bebês abandonadas em frente de igrejas, hospitais e centros de caridade, já que muitos pais não contam com recursos para os manter.

Segundo o Ministério da Previdência, a cifra de menores desabrigados aumentou 336% desde que começou a crise, e o pior é que os orfanatos estatais não podem oferecer a atenção adequada devido ao aumento de crianças e a redução no orçamento.

De acordo com os responsáveis por algumas organizações humanitárias, a falta de serviços sociais amplificada pela austeridade e o aumento da pobreza da classe média fez com que crescesse e piorasse um dos problemas mais trágicos da crise financeira.

Os dados oficiais mostram que, desde que a recessão começou, a economia grega caiu ao redor de 25%, e que o consumo dos lares se reduziu em uma percentagem similar.

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Fonte: Prensa Latina
Data original da publicação
: 19/03/2014

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