Fenaban mantém proposta abaixo da inflação e bancários seguem em greve

Fenaban mantém proposta abaixo da inflação e bancários seguem em greve

Depois de dois dias de negociação, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) novamente frustrou os bancários. O acordo de dois anos proposto na quarta-feira (28/09) mantém os 7% de reajuste salarial e abono de R$ 3.500 neste ano, e reposição da inflação, mais 0,5% de aumento real em 2017. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a proposta na própria mesa de negociação, por considerá-la insuficiente, com perdas para os trabalhadores, e orienta que os sindicatos realizem assembleias em suas bases, na próxima segunda-feira (3). Em São Paulo, a assembleia está marcada para as 17h.

O Comando Nacional  reiterou que continua à disposição da Fenaban para ter uma proposta que permita resolver a campanha sem perdas para a categoria.  “Os bancos perderam uma excelente oportunidade de resolver a greve mantendo a proposta que provoca perdas nos nossos salários. Fica cada vez mais evidente que é uma decisão tomada fora da nossa mesa de negociação e que dialoga com a intenção de promover uma redução dos salários para atender ao ajuste fiscal que está sendo imposto por este governo”, afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Roberto von der Osten, um dos coordenadores do Comando.

“Desde o início da nossa campanha, dissemos que o setor financeiro teve lucros fabulosos e que poderia atender, confortavelmente, às nossas reivindicações. Só um acordo estranho às nossas relações de trabalho poderia explicar esta tentativa de reduzir salários”, ressalta o dirigente. “Quando os bancos propuseram um acordo de dois anos, deixamos claro que não poderia trazer perdas e que ainda precisaria contemplar emprego, saúde, vales, creche, piso, igualdade de oportunidades, segurança. Nada disso veio hoje.”

A greve dos bancários chega hoje ao 24º dia com 13.254 agências e 28 centros administrativos com atividades paralisadas, o que representa 57% das locais de trabalho em todo o Brasil. “Em sintonia com a política do governo, os banqueiros querem reduzir o custo do trabalho. A greve continua e estamos à disposição para nova negociação com a Fenaban”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira,  vice da Contraf e também coordenadora do Comando.

Altos lucros

“Os lucros dos bancos permanecem nas alturas, enquanto muitos setores registram perdas”, afirma a Contraf-CUT. Os cinco maiores bancos brasileiros (Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) apresentaram, no primeiro semestre, lucro líquido de R$ 29,7 bilhões. A população também sente no bolso: pesquisa divulgada na quarta-feira (28/09) pelo Banco Central revela que a taxa de juros do cheque especial bateu novo recorde de julho para agosto, e chegou a 321,1% ao ano.

Em agosto, na comparação com o mês anterior, houve alta de 3,5 pontos percentuais nos juros do cartão de crédito, com taxa em 475,2% ao ano. Neste ano, a alta já é de 43,8 pontos percentuais.

A data-base dos bancários é 1º de setembro. A categoria entregou pauta com as reivindicações em 9 de agosto, e após cinco rodadas de negociação com a Fenaban não houve acordo. No dia 30, os bancos apresentaram proposta com reajuste de 6,5% com R$ 3.000 de abono. A categoria, após assembleias realizadas em todo o país no dia 1º de setembro, rejeitou proposta e a greve teve início no dia 6.

A segunda proposta foi feita no dia 9, com reajuste de 7% (com 2,39% de perda salarial) e abono de R$ 3.300, rejeitada na mesa de negociação. Na terça-feira (27), houve proposta da Fenaban para novo modelo de acordo para a categoria, com validade de dois anos.  Ontem, nova proposta de 7% e abono de R$ 3.500, com aumento real de 0,5% para 2017.

Fonte: Rede Brasil Atual
Data original da publicação: 29/09/2016

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