Desemprego é o fracasso cruel do neoliberalismo brasileiro

Desemprego é o fracasso cruel do neoliberalismo brasileiro
Fotografia: ANASPS

Andre Motta Araujo

Fonte: GGN
Data original da publicação: 03/07/2019

Política econômica se avalia pelo saldo entre custos e resultados. Por esse critério, a política econômica neoliberal que veio no pacote do PLANO REAL foi um desastre histórico na trajetória do Brasil como nação. Nunca antes se viram tantos pobres, miseráveis, desassistidos e desesperados no conjunto da população, como se vê hoje nas ruas das grandes, médias e pequenas cidades brasileiras, milhões de jovens cujo único futuro é ser entregador de pizza ou bandido, sem que a parcela da população que se isola em ilhas de vida confortável se perturbe com os miseráveis à sua volta.

A política econômica neoliberal com epicentro no Rio de Janeiro trouxe no seu conjunto as seguintes consequências:

1.DOMÍNIO DO BANCO CENTRAL PELO MERCADO FINANCEIRO

Domínio explícito demonstrado pela sistemática indicação de personagens do mercado financeiro para suas diretorias. Para confirmar o domínio do chamado BOLETIM FOCUS, onde a autoridade monetária recolhe a média das previsões dos economistas do mercado financeiro para orientar suas políticas.

A consequência é de que o Banco Central NÃO LIDERA O MERCADO, É LIDERADO POR ELE e todas as suas políticas não se endereçam aos interesses do País e do Estado nacional e sim aos interesses do mercado financeiro, desde a taxa Selic, à política cambial, a política de crédito, ao estimulo à concentração bancária.

2.PROTEÇÃO DOS ATIVOS FINANCEIROS À CUSTA DO CRESCIMENTO

O instrumento é o mecanismo de ‘METAS DE INFLAÇÃO” onde se privilegia a QUALQUER CUSTO SEM CRESCIMENTO a manutenção do valor dos ativos financeiros que consomem a maior parte do Orçamento da União, em pagamento de juros e seguros cambiais, variáveis que mantém constante em dólar os ativos do sistema financeiro em Reais, algo como R$ 8 trilhões, para o que o PAÍS NÃO DEVE CRESCER, porque o crescimento necessita de moeda nova e pode trazer o risco de desvalorizar a moeda velha detida pelo sistema financeiro. Para tal roteiro o Estado deve liquidar o BNDES e privatizar o que resta de suas estatais, a qualquer preço, no todo ou vendendo aos pedaços, como se faz hoje com a PETROBRAS, empobrecendo o Estado e o País e transferindo para o estrangeiro o controle da política nacional de energia e infraestrutura, criando o paradoxo de ser hoje de capital estrangeiro grande parte da indústria, energia, infraestrutura e mineração do País, enquanto os ricos brasileiros investem no exterior seus recursos, hoje brasileiros tem US$400 bilhões de dólares fora do País, recursos gerados no Brasil e transferidos para o exterior, um contrassenso que mostra ao que o neoliberalismo pode levar.

3.A PARALISIA DO CRESCIMENTO FEZ ESTAGNAR A ARRECADAÇÃO E COM ISSO A DETERIORAÇÃO DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Os serviços públicos essenciais de SAÚDE, EDUCAÇÃO, SANEAMENTO E APOIO SOCIAL AOS MUITO POBRES estão em fase acelerada de desmonte por falta de recursos, porque sem crescimento cai a arrecadação de impostos e continuam crescendo os custos de funcionamento da União, Estados e Municípios.

O sistema público de saúde está se arruinando em velocidade acelerada, as filas do SUS aumentaram muito, o nível de educação nunca foi tão baixo.

4.DESMONTE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA INDÚSTRIA, INFRAESTRUTURA, MEIO AMBIENTE, ENERGIA, TRABALHO, DEFESA, PESQUISA E CULTURA

Na visão neoliberal, políticas públicas nem devem existir porque o mercado tudo resolve. O raciocínio é falso. Nos EUA, centro da ideia de economia de mercado, o Estado tem fortíssima presença em todas as políticas públicas, os Departamentos de Trabalho e de Energia tem vastos orçamentos, a pesquisa é fortemente incentivada pelo Estado, há 11.000 estatais sob formas e denominações diversas como AUTHORITY ou BOARD que cuidam de saneamento, aeroportos, portos, rodovias, metrôs, ônibus municipais, seguros de hipotecas para moradias populares, trens de passageiros, rodovias, tudo ESTATAL.

Na Europa os sistemas de seguro saúde, educação, meio ambiente, energia, cultura, são largamente estatais, o Estado assistencial é fortemente presente, mesmo em países de economias ricas como Alemanha, países nórdicos, França, Suíça e Reino Unido.

O “neoliberalismo de exportação” que o Brasil assumiu, MESMO NOS GOVERNOS PETISTAS, foi repudiado em todo o mundo civilizado mais avançado, os países emergentes que mais crescem, como China e Índia, têm economias de planejamento sob Estados fortes e não Estados desmontados como no Brasil, onde apesar da carga fiscal ser altíssima, não tem Estado forte, o grosso da arrecadação de impostos se destina a juros da dívida pública e largos benefícios a corporações de funcionários públicos, que consomem salários e vantagens irreais e incompatíveis com a economia do País.

Não existe NENHUMA POSSIBILIDADE do Brasil voltar a crescer com um neoliberalismo tosco, provinciano, sem visão de Estado, voltado exclusivamente para o rentismo de pequena parte da população, enquanto 90% dos brasileiros veem sua qualidade de vida, e até de sobrevivência, se deteriorar ano a ano.

É impressionante que boa parte da elite brasileira não perceba o desastre visível, a olho nu, de uma política neoliberal para País pobre como algo inviável historicamente. Vargas, Juscelino, os governos militares perceberam isso, o governo FHC desprezou essa noção da realidade e criou a democracia dos banqueiros como se isso fosse o futuro do Brasil, hoje a REPÚBLICA DO FINANCISMO empobrece o País como um todo, embora alguns se saiam bem, hoje o Estado brasileiro e o conjunto da população brasileira é MAIS POBRE DO QUE HÁ DEZ ANOS, o País está empobrecendo sob o neoliberalismo.

UMA ESCOLA PRIMITIVA DE PENSAMENTO ECONÔMICO

A “Escola do Rio”, nome que dei ao pensamento neoliberal brasileiro da década de 90 (e título de meu livro sobre esse tema) é uma escola POBRE E SIMPLISTA de pensamento econômico, sem elaboração, sem renovação, sem imaginação, mera importação de meia dúzia de mantras de Madame Thatcher, que já foi post mortem suficientemente demolida no seu próprio País.

Hoje, o neoliberalismo de Mrs. Thatcher é algo maldito no Reino Unido, nas suas raízes estão a decadência industrial da Inglaterra, que levaram o País ao BREXIT. Mas, no Brasil dos  “economistas de mercado”, esses dogmas continuam vivos por falta de inimigos naturais sem que seus propagandistas percebam que SEM ESTADO NÃO HÁ PAÍS SÓLIDO e, ao fim, o neoliberalismo vai destruir o próprio Estado onde esses economistas ganham dinheiro, embora boa parte não more mais no Brasil.

Um pais convulsionado pela miséria que o neoliberalismo criou vai tornar inviável os negócios dos neoliberais. Um País é um conjunto de pessoas e coletividades, não é só um mercado de câmbio e ações.

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