Bancos precisam considerar critérios de direitos humanos ao conceder crédito, diz ONU

Apesar de frequentemente o setor financeiro parecer distante das violações aos direitos humanos, ele tem papel e responsabilidade fundamental no tema, afirmou o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

“Um número crescente de instituições financeiras tem buscado integrar critérios sociais e de direitos humanos em suas operações de crédito”, declarou Zeid durante evento em meados de novembro. Ele enfatizou a importância de normas e princípios para orientar o trabalho do setor financeiro com o objetivo de evitar e mitigar riscos.

A quinta edição do Fórum de Direitos Humanos e Negócios em Genebra reuniu em sua quinta edição empresários, ONGs e ativistas para discutir formas de inserir a defesa dos direitos humanos no mundo dos negócios. Este ano, um dos focos foi buscar formas de harmonizar o trabalho das instituições financeiras.

“O maior desafio tem sido o fato de instituições financeiras acreditarem não ter nenhuma capacidade de influência, ou frequentemente afirmarem estar muito distantes de provocar impactos de direitos humanos. Muitas vezes, elas não estão conscientes de que tipo de projetos podem estar ligadas por meio de suas transações”, disse Kamil Zabielski, chefe da equipe de sustentabilidade da agência de crédito para exportação da Noruega.

“O mais importante é identificar riscos potenciais de direitos humanos e tomar decisões informadas”, disse Zabielski. “Utilizem sua capacidade de manobra onde puderem — se houver violações, não se envolva na transação”, completou.

No entanto, alguns especialistas afirmaram estar havendo crescente mobilização no setor financeiro no sentido de ampliar seu compromisso com a promoção dos direitos humanos e lutar ativamente contra violações, particularmente no setor público.

Para Genevieve Paul, da organização Above Ground — que divulga casos de violações cometidas por empresas canadenses no exterior —, as instituições financeiras públicas precisam ser mais transparentes em seus processos de “due diligence”, mais ativas e preventivas na proteção de direitos, e impulsionar processos consultivos com atores afetados por suas atividades.

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Fonte: ONU Brasil
Data original da publicação: 02/12/2016

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