“Alemanha necessita de imigrantes”: personalidades lançam manifesto contra movimento islamofóbico no país

Oitenta personalidades da Alemanha, entre as quais os ex-chanceleres Gerhard Schroder e Helmut Schmidt, assinaram um manifesto publicado na terça-feira (06/01) contra o movimento Pegida (“Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente”).

Divulgado pelo jornal Bild, o texto também foi assinado por outros membros do atual governo liderado por Angela Merkel, como o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. Além deles, atores, atletas como o ex-atacante Oliver Bierhoff e líderes sindicais fazem parte da lista de personalidades que apostam por uma nação mais tolerante e aberta aos imigrantes.

Para ex-chanceler Schmidt, o movimento conduzido pelo Pegida “não é a Alemanha”, um país que tanto por sua história como por sua economia não deve rejeitar asilados e refugiados. Já para Schäuble, a “Alemanha necessita de imigrantes e deve ter coração para acolher os refugiados em situação de necessidade”.

A divulgação vem um dia depois de mais de 18 mil pessoas voltarem a protestar na cidade de Dresden, no leste do país, em apoio à organização islamofóbica. Em sua 11ª edição, a manifestação em Dresden alcançou novo recorde de participação.

Contudo, milhares de alemães saíram às ruas em outras cidades, como Berlim, Colônia e Hamburgo, para rejeitar o Pegida. Hoje, o ministério das Relações Exteriores da Alemanha criticou o movimento de raiz xenófoba via Twitter: “Pegida prejudica não só nosso país, mas também passa uma imagem ruim da Alemanha no exterior”.

Em mensagem de fim de ano, Merkel criticou os recentes atos islamofóbicos no país. “Não sigam quem convoca estas manifestações, já que frequentemente seus corações abrigam preconceitos e inclusive ódio”, declarou a atual chanceler na última semana.

A Alemanha tem aproximadamente 4 milhões de muçulmanos, dentro de uma população de cerca de 81 milhões de pessoas. Nos últimos anos, o país teve um aumento marcante de ataques contra estrangeiros, sobretudo islâmicos, acompanhados também do crescimento da extrema-direita e de grupos de caráter neonazista.

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Fonte: Opera Mundi
Data original da publicação: 06/01/2015

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