21 de fevereiro de 1848: começa a circular o Manifesto Comunista de Marx e Engels, um dos mais importantes textos políticos de todos os tempos

Há 171 anos começava a circular o Manifesto Comunista de Marx e Engels, um dos mais importantes textos políticos de todos os tempos.

Escultura de Karl Marx e Friedrich Engels em Berlim. Fotografia: Adam Jones/Wikimedia Commons

Igor Natusch

Dizer que o Manifesto Comunista é um documento significativo é quase menosprezá-lo. Escrito pelos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels, o breve tratado é simplesmente um dos mais influentes textos políticos de todos os tempos. Além de delimitar as bases teóricas do comunismo, o Manifesto serviu como base intelectual para inúmeros movimentos revolucionários e consolidou conceitos que seguem no centro dos debates até hoje. Embora haja divergências sobre a data exata de sua primeira edição, é sabido que começou a circular nos últimos dias de fevereiro de 1848, logo antes de uma série de protestos e insurreições que sacudiram toda a Europa.

O texto foi concebido a partir de uma solicitação da Liga Comunista, uma associação política internacional com sede em Londres, na Inglaterra, e formada a partir da fusão de dois grupos revolucionários anteriores: a Liga dos Justos, de influência cristã, e o Comitê Comunista, no qual Marx e Engels eram figuras proeminentes. As ideias de comunismo crítico de ambos logo ganharam força junto aos demais membros, e uma das decisões do segundo congresso da nova Liga, ocorrido na virada de novembro para dezembro de 1847, foi que os dois pensadores elaborassem um texto que sistematizasse o pensamento cada vez mais combativo da organização – um manifesto, em suma.

Segundo biógrafos de Marx, o pensador procrastinou a tarefa durante cerca de dois meses, até receber da Liga Comunista um ultimato para entregar o documento até os primeiros dias de fevereiro de 1848. Embora Engels receba créditos pelo documento final, os estudiosos do Manifesto concordam que, na verdade, Marx redigiu tudo praticamente sozinho, muito embora adotando várias ideias desenvolvidas em conjunto com o colega nos anos anteriores.

A estrutura é simples, dividida em um preâmbulo, três capítulos e uma breve conclusão. O texto inicia definindo as bases para uma concepção materialista de história, descrevendo as diferenças entre burgueses e proletariado e apontando os movimentos históricos como consequência da luta de classes. Em seguida, o Manifesto aponta os interesses comuns entre os trabalhadores de diferentes povos e nações, dedicando seu terceiro capítulo a diferenciar o comunismo de outras vertentes socialistas da época. Por fim, o Manifesto adota uma postura revolucionária, prevendo um grande levante internacional e criando o lema “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!” – uma das mais marcantes frases da política em todos os tempos.

O impacto do Manifesto Comunista não foi imediato, e apenas a partir dos anos 1870 sua mensagem começou a ganhar força, coincidindo com um maior reconhecimento da obra de Marx e Engels como um todo. É quase impossível listar os múltiplos desdobramentos intelectuais, econômicos, históricos, sociais e revolucionários que as ideias nele contidas tomaram nos mais de 170 anos desde sua primeira edição. Atualmente, e apesar de inúmeras críticas e releituras o colocarem longe da unanimidade, o Manifesto segue sendo um dos documentos políticos mais entusiasticamente debatidos em todo o mundo.

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