18 de março de 1953: trabalhadores promovem a passeata da “Panela Vazia”, decisiva para a histórica Greve dos 300 Mil

Há 67 anos, trabalhadores promoviam a passeata da “Panela Vazia”, decisiva para a histórica Greve dos 300 Mil

Trabalhadores fazem passeata da Panela Vazia e vão até sede do governo. Fotografia: FolhaPress

Igor Natusch

Um dos momentos mais marcantes da história operária brasileira, a chamada Greve dos 300 Mil explodiu nos últimos dias de março de 1953, mas ganhou fôlego decisivo um pouco antes. Mais precisamente em 18 de março daquele ano, quando cerca de 60 mil pessoas participaram da marcha da “Panela Vazia” – um movimento que deu coesão a uma série de mobilizações diversas e teve forte efeito no imaginário da classe trabalhadora de São Paulo e de todo o Brasil.

Embora tenha estourado durante a presidência de Getúlio Vargas, a histórica greve foi a culminância de um processo de tensionamento com origens bem anteriores – mais especificamente, o Decreto-Lei nº 9.070, assinado por Eurico Gaspar Dutra em 1946. Editadas supostamente para dispor sobre a suspensão ou abandono coletivo do trabalho, as regras acabaram, na prática, lançando todos os movimentos grevistas na ilegalidade. Em paralelo, o custo de vida disparou durante o governo de Dutra – e Vargas, que subiu ao poder em meio a uma grande expectativa da classe trabalhadora, não dava sinais de concretizar as melhoras prometidas.

Juntando a difícil situação econômica a um cenário de abertura para a atividade sindical, as paralisações de trabalhadores começaram a acontecer. Conduzida principalmente pelo Partido Comunista Brasileiro, a greve geral teve como primeiro antecedente a assembleia geral dos tecelões, no dia 10 de março de 1953, que decidiram cruzar os braços contra a carestia. Com ampla adesão em grandes fábricas, como a Tecidos Matarazzo e o Lanifício Santista, o movimento grevista foi, aos poucos, ganhando a adesão de operários ligados a outros setores.

No dia 18 de março daquele ano, uma multidão se reuniu na Praça da Sé, no centro de São Paulo, e caminhou até o palácio Campos Elíseos, antiga sede do governo estadual. Tendo como pauta explícita os salários de fome pagos pelas grandes empresas de então, a passeata das Panelas Vazias foi encerrada de forma violenta, em um confronto com a polícia que resultou em grande número de prisões. Ao invés de esfriar a mobilização, a repressão deu fôlego à greve: no dia 26 de março, trabalhadores das indústrias têxtil e metalúrgica oficializaram a greve geral.

Oficialmente, a Greve dos 300 Mil encerrou-se em 23 de abril de 1953, quando o Tribunal Regional do Trabalho de SP propôs aumento de 32% nos salários, aceito por patrões e pela maioria dos sindicatos. No entanto, o retorno ao trabalho disparou uma onda de demissões, em descumprimento direto a um dos itens do acordo. Ainda assim, a paralisação teve um importante papel em termos de organização de trabalhadores e trabalhadoras – dando origem a um Comando Intersindical, embrião do Pacto de Unidade Intersindical (PUI), e revolucionando as formas de mobilização sindical no país. A crise também levou Getúlio Vargas a apontar um novo ministro do trabalho, substituindo José de Segadas Viana (que chegou a ameaçar o uso da Lei de Segurança Nacional contra os grevistas) por João Goulart, que acabaria tendo importante papel na consolidação de melhorias futuras para a classe trabalhadora.

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