Vítimas pedem justiça um ano após desabamento de fábrica em Bangladesh

No aniversário de um ano do desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, milhares de pessoas se reuniram na quinta-feira (24/04) diante das ruínas do prédio, em Savar, nos arredores da capital Daca, para prestar homenagem aos mais de 1.100 mortos e 2.500 feridos no desastre.

Trabalhadores têxteis depositaram coroas de flores junto ao local da tragédia, e algumas centenas de pessoas bloquearam uma rua principal nas vizinhanças da antiga fábrica, exigindo que os proprietários do complexo industrial finalmente sejam responsabilizados.

“Queremos uma indenização” e “morte aos culpados” eram alguns dos gritos dos manifestantes. Entre eles, estavam feridos no desabamento e parentes de mortos no acidente. Familiares de 140 operários ainda tidos como desaparecidos juntaram-se ao movimento, exigindo ajuda do governo para encontrar os corpos. Crianças erguiam fotografias das mães desaparecidas.

O ministro do Interior de Bangladesh, Asaduzzaman Khan, anunciou que serão indiciadas outras duas pessoas acusadas de serem responsáveis ​​pelo desabamento. “No total, serão quatro indiciados”, disse ele, segundo o jornal Dhaka Tribune.

Benetton e Carrefour ainda não pagaram

O acidente chamou a atenção para as condições de segurança precárias nas 4.500 fábricas de vestuário de Bangladesh. Organizações e sindicatos assinalaram a data, denunciando a atitude de 29 empresas que produziam no local, incluindo a espanhola Mango e a italiana Benetton.

Inúmeras fábricas em Savar exibiam bandeiras negras sobre seus telhados. O desabamento, em 24 de abril de 2013, foi o mais grave acidente da indústria têxtil de Bangladesh, onde empresas do mundo inteiro mandam confeccionar peças de vestuário.

A federação sindical internacional IndustriAll Global Union exigiu que as empresas que fabricavam no Rana Plaza finalmente paguem as indenizações, lembrando que no fundo para as vítimas da catástrofe criado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) só foram pagos 11 dos 29 milhões de euros estipulados. As primeiras indenizações só foram distribuídas na terça-feira, um ano depois da tragédia. Marcas como Benetton, Adler e Carrefour ainda não contribuíram para o fundo.

Berlim pressiona empresas

O governo alemão e os sindicatos do setor têxtil do país reclamaram o pagamento imediato de indenizações às vítimas do acidente em Bangladesh. “Ainda hoje, as vítimas e seus parentes esperam o pagamento das indenizações, também por parte de empresas alemãs”, criticou o ministro alemão da Cooperação e Desenvolvimento, Gerd Müller.

O presidente da Confederação Alemã de Sindicatos, Michael Sommer, ameaçou as fábricas têxteis alemãs. “Se não pagarem antes da sexta-feira, começarei a mandar cartas a todas as empresas que não contribuíram e as publicarei”, alertou. “Não descansaremos”, ressaltou, em entrevista a uma rádio.

A ministra alemã do Trabalho, Andrea Nahles, qualificou de “inaceitável” que as empresas internacionais só tenham contribuído com um terço do total estipulado para o fundo. O governo e os sindicatos alemães também apelaram para que a indústria têxtil se empenhe por melhores padrões ambientais e sociais nos países onde encomendam seus produtos.

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Fonte: Deutsche Welle
Data original da publicação: 24/04/2014

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