Trabalhadores, movimentos sociais e sindicatos protestam em todo o país

A sexta-feira (11/11) foi marcada por protestos de trabalhadores, movimentos sociais, centrais sindicais e sindicatos em todo o país contra o pacote do governo Temer que retira direitos sociais históricos e congela investimentos estratégicos na área da saúde e educação.

Em São Paulo, estado onde ocorreram as manifestações em maior volume de participantes, os  movimentos populares fizeram manifestações em diversos pontos da capital paulista e em rodovias do estado desde o início da manhã. Bloqueios e trancamentos de vias públicas fizeram parte da estratégia do dia nacional de paralisações convocados pelas frentes populares e centrais sindicais contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (antiga PEC 241 na Câmara), que limita os gastos públicos nos próximos 20 anos à correção da inflação do ano anterior, que tramita atualmente no Senado.  Todas as vias foram liberadas logo após as 10h.

Manifestantes bloquearam a Avenida João Dias, na zona sul da capital paulista, onde um grupo ateou fogo a pneus e entulho. A rodovia Anchieta, que liga São Paulo ao litoral sul, foi bloqueada pelos manifestantes na altura do quilômetro 23, no sentido São Paulo. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), também foram bloqueadas a Régis Bitencourt, a Rodovia dos Bandeirantes e a Estrada de Itapecerica.

Na Via Dutra, que liga a capital paulista ao Rio de Janeiro, a pista expressa foi interditada no sentido São Paulo, próximo a Guarulhos. A interdição ocorre na altura do quilômetro 206 até o 210. Na Rodovia Anhanguera, na cidade de Sumaré (região de Campinas), moradores da ocupação Vila Soma fecharam a pista sentido interior – a Polícia Militar prendeu cerca de 20 pessoas que estavam a caminho do ato do MTST na Anhanguera. A maioria eram  mulheres.

Trabalhadores da Sabesp também aderiram ao dia de protestos, paralisando atividades em diversos pontos da capital paulista – Centro, Mooca, Ipiranga e Consolação Itaquera, São Miguel, Casa Verde, Franco da Rocha e Vila Maria –, na Grande São Paulo, como em São Bernardo do Campo, e também no interior, nas cidades de Taubaté, Pindamonhangaba, São José dos Campos, Itapetininga, Avaré, Itapeva, Presidente Prudente, entre outras.

Na Bahia,  rodoviários, bancários e professores foram algumas das categorias que paralisaram as atividades na sexta-feira na capital Salvador. Os rodoviários atrasaram a saída dos ônibus das garagens e ficaram a maior parte da manhã sem rodar em alguns pontos da cidade. Como a paralisação foi divulgada nas redes sociais e nos noticiários, alguns passageiros nem arriscaram a ir aos pontos de ônibus, que amanheceram vazios.

A Secretaria de Mobilização chegou a autorizar que 300 micro-ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar operassem nos grandes corredores da cidade, nas principais avenidas, incluindo a orla da capital baiana.

Os bancários da capital baiana ficaram de braços cruzados até meio-dia (no horário local) como forma de protestar contra a PEC 55.

“Participar da luta é contribuir para barrar a avalanche neoliberal que quer entregar empresas estatais ao capital estrangeiro, precarizar as relações de trabalho com a terceirização e retirar direitos sociais importantes como os pretendidos na reforma da Previdência”, disse, em nota, o Sindicato dos Bancários da Bahia.

Em Porto Alegre, houve confronto entre manifestantes e a polícia militar. A mobilização começou durante a madrugada diante das garagens das empresas de ônibus da capital gaúcha e se estendeu até por volta das 11h, quando se encerrou uma manifestação de estudantes e servidores no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Ao longo de todo o tempo, a Brigada Militar contou com um forte aparato de segurança e utilizou da repressão, com bombas de efeito moral e balas de borracha, para liberar o trânsito em caso de bloqueio de ruas e avenidas.

As mobilizações iniciaram ainda durante a madrugada com protestos de centrais sindicais diante de garagens de empresas de ônibus. No entanto, os sindicalistas não conseguiram realizar bloqueios para impedir temporariamente a largada de ônibus porque pelotões da tropa de choque da BM já estava dentro das garagens desde antes do início dos atos. Ainda assim, utilizaram bombas de gás e spray de pimenta para dispersar protestos.

“Enquanto quase não se vê brigadianos nas ruas e nos bairros para prevenir assaltos e proteger a população, vimos hoje dezenas de policiais nas garagens de ônibus, atirando bombas de gás e dispersando trabalhadores e impedindo que os rodoviários também pudessem se manifestar contra os retrocessos para evitar a perda de direitos”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

Após estes protestos iniciais, diversos atos “pipocaram” nos pontos em que foram realizados bloqueios temporários de vias. Manifestações foram registradas diante na Av. Bento Gonçalves, diante do Campus do Vale na UFRGS, na Av. Ipiranga diante da PUCRS e no cruzamento com a Silva Só, entre outros pontos. A maior concentração de pessoas e por mais tempo, porém, foi registrada no campus central da UFRGS.

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* Com informações da Rede Brasil Atual, Agência Brasil e Zero Hora

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