Trabalhadores das redes de fast-food nos EUA fazem greve por aumento

Centenas de funcionários das principais redes de fast-food dos Estados Unidos, entre elas McDonald’s, Wendy’s e Burger King, realizaram um dia de greve na quinta-feira (05/12) com manifestações em diversas cidades do país exigindo melhores remunerações. O movimento chama atenção também por reividnicar um aumento do salário mínimo federal norte-americano, estipulado em US$ 7,25 por hora.

Os funcionários das redes de fast-food reivindicam um aumento para US$ 15/hora. O piso atual do setor é de US$ 9 por hora, ou US$ 18,5 mil por ano. Nos Estados Unidos, a linha de pobreza é estipulada em US$ 23 mil anuais para uma família com quatro pessoas.

Na quarta-feira (04), o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou ser favorável à mudança do salário mínimo federal de US$ 7,25 para US$ 10,10 a hora, mas enfrenta forte oposição republicana no Congresso.

Os protestos ocorreram em mais de cem cidades do país, segundo o jornal USA Today. Alguns trabalhadores admitiram que conversaram previamente com seus gerentes para participarem das manifestações para não serem retaliados – por essa razão, tiveram seus turnos trocados. Outros arriscaram sofrer punições. Eles afirmam que, muitas vezes, precisam de dois ou três empregos para sobreviver.

Em Washington, dezenas de funcionários carregavam cartazes cantando palavras de ordem. Em Nova York, eles chegaram a cem pessoas, que tocavam tambores em frente a uma unidade do Mc Donald’s. Em Detroit, um número um pouco maior de pessoas protestava em frente a duas unidades da mesma rede propondo um aumento mínimo de US$ 7,40.

“Não podemos sobreviver com US$ 7,25″, diziam membros do grupo Fast Food Forward, uma das principais organizações envolvidas nos protestos. “Enquanto as corporações de fast-food se beneficiam com lucro recorde, os trabalhadores mal conseguem sobreviver. Muitos precisam recorrer à assistência social, apesar de terem um emprego”.

A discussão vem desde novembro de 2012, quando cerca de 200 funcionários realizaram um dia de greve. A partir de então, o movimento ganhou força e se espalhou por todo o país. Outra paralisação ocorreu em agosto, envolvendo mais de 60 cidades – os restaurantes foram abertos, mas tinham de enfrentar protestos nas portas.

De acordo com pesquisa feita em novembro deste ano pela rede de TV CBS, 36% dos entrevistados apoiam o aumento do salário mínimo federal para o proposto por Obama, e outros 33% são favoráveis a US$ 9 dólares. Já 25% querem que o valor atual seja mantido. Alguns estados já estudam projetos de leis prevendo aumento.

Analistas consultados pela imprensa norte-americana afirmam que é pouco provável que o projeto de Obama seja aprovado no curto prazo, pois não passaria na Câmara dos Representantes, de maioria republicana e contrária ao reajuste.

“Propaganda de sindicatos”

A Associação Nacional dos Restaurantes diz que as ações são uma campanha de propaganda de sindicatos nacionais que apoiam os protestos e usam ativistas pagos e alerta também que o reajuste pedido pelos manifestantes levaria a demissões e a elevação de preços para os consumidores.

“Quinze dólares por hora não é uma reivindicação razoável”, disse Justin Winslow, vice-presidente de Relações Governamentais da Associação dos Restaurantes de Michigan ao USA Today. Ele se justifica dizendo que a maior parte dos funcionários do setor é de jovens que trabalham em meio-período e não desejariam necessariamente fazer carreira no setor.

No entanto, a onda de protestos atinge também outros setores e chama cada vez mais a atenção. Na semana passada, durante as liquidações de “Black Friday”, manifestantes se reuniram em frente às lojas da rede Wal-Mart em vários estados pedindo melhores salários para os trabalhadores do comércio.

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Fonte: Opera Mundi, com ajustes
Data original da publicação: 05/12/2013

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