Tijolo por tijolo, o trabalho para construir uma escola

Clemente Ganz Lúcio

[divide]

Quando trabalhava na construção civil havia a cultura de se fazer um churrasco quando que se completa a cobertura da casa. Atingia-se uma meta, com a estrutura estava pronta, iniciavam-se os “recheios” com portas, janelas, pisos, etc. Antes de iniciar uma nova etapa, comemorava-se.

Um sonho, uma casa, imaginado e prospectado, transformara-se antes em um projeto, uma antecipação para o presente de um futuro a ser construído. Tijolo por tijolo, o projeto ganha concretude pelo trabalho de muitos. O trabalhador da olaria não conhece qual a casa que aquele tijolo moldado e queimado construirá. Sabe, entretanto, que há construções e que o seu trabalho estará lá, como está em todas as construções.

Temos muitos sonhos, alguns dos quais se transformam em projetos e ganham concretude pelo trabalho de muitos que, queimando e assentado tijolos, fazem pacientemente, pelo trabalho contínuo, uma construção.

Em 1955 o movimento sindical tinha um sonho. Criou o DIEESE como parte de um sonho maior. O DIEESE cresceu e, em 2005, já com 50 anos, resolveu revistar o passado. Tornou presente aquele sonho perguntando-se: Vamos imaginar um projeto? Ousados, os dirigentes disseram sim, apesar de alguns afirmarem que aquele sonho poderia ser um problema. O debate aberto e cuidadoso construiu uma escolha afirmativa. Desenhamos um projeto.

Iniciamos a construção, tijolo por tijolo, e depois de 10 anos, 60 anos após nascermos, poderemos comemorar a conclusão da cobertura dessa nova obra. Primeiro veio, neste ano, a aprovação do MEC que reconheceu a Escola e o Curso de Bacharelado, e com isso a última etapa da estrutura, o telhado, estava pronta. Faltava colocar as telhas, que hoje concluímos. É hora de comemorar.

Às 17 horas terá início a formatura da primeira turma de Bacharéis em Ciências do Trabalho, mais de 20 alunos que investiram três anos da sua vida para desenvolver a capacidade critica de pensar o mundo a partir da ótica do trabalho e dos trabalhadores.

Aos dirigentes que apostaram no sonho e souberam construir um novo projeto, o nosso muito obrigado. A equipe que desenhou o projeto e trabalhou duro para colocar cada tijolo, o nosso muito obrigado. Aos alunos que arregaçaram as mangas e entraram na empreitada, arriscando no desconhecido, apostando no futuro que se faz no presente, nosso muito obrigado.

Ao movimento sindical, aos sócios, às Centrais Sindicais, que acreditaram e investiram, nosso muito obrigado. Ao MTE, que nos apoiou desde o início, nosso muito obrigado.

Todos comemoraremos o tijolinho que colocamos nessa obra, que seguirá em permanente processo de construção.

Vida longa à Escola do DIEESE. Sucesso na vida aos novos e primeiros bacharéis em Ciências do Trabalho.

[divide]

Clemente Ganz Lúcio é sociólogo, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *