Rotatividade de vagas na economia formal manteve alta em 2013

O Dieese e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgaram na quarta-feira (17/12/2014), no Distrito Federal, pesquisa sobre a rotatividade no mercado de trabalho no país. Os dados apontam que no mercado formal (com carteira assinada), a taxa de rotatividade global foi de 63,7% em 2013, e a taxa de rotatividade descontada, após a exclusão dos motivos ligados aos trabalhadores, foi de 43,4% no mesmo ano.

Nesse segundo índice são considerados como fatores de desconto os desligamentos por motivos não ligados diretamente à decisão do empregador, como morte e aposentadoria, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador.

Essas taxas mantêm-se praticamente estáveis em relação aos anos anteriores, sobretudo considerando o período de 2010 ao ano passado. Os dados da pesquisa são calculados com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do MTE. A pesquisa analisa a rotatividade no país entre 2002 e 2013, com foco nos vínculos celetistas, por setor de atividade, segundo atributos do trabalhador e por tipo de estabelecimento.

A trajetória da taxa de rotatividade mostra que, após um pequeno arrefecimento em 2009, tanto da taxa global quanto da taxa descontada, em função dos efeitos da crise internacional, esses indicadores voltaram a subir a partir de 2010, apresentando ordem de grandeza de aproximadamente 64% para a global, e próxima a 43% para a taxa descontada. Em 2003, primeiro ano de apuração da pesquisa, a taxa de rotatividade global era de 52,4% e a descontada, 40,9%.

O mercado de trabalho no país terminou 2013 com um estoque de 48,9 milhões de vínculos de trabalho. Em relação a 2002, foram criados mais de 20 milhões de empregos, com um incremento médio anual de 1,8 milhão de postos de trabalho. Esse resultado, entretanto, é fruto de uma forte movimentação contratual no período.

A intensa movimentação dos contratos de trabalho decorre de uma grande flexibilidade contratual, já que anualmente um elevado número de admissões e desligamentos é realizado. Tendo por base o ano de 2013, nota-se que ocorreram 29,1 milhões de admissões durante o ano, mas 12 milhões desse total não permaneceram ativos no estoque em 31 de dezembro, tendo havido desligamento durante o ano.

A análise da pesquisa mostra que no Brasil predomina o emprego de curta duração, que assim se caracteriza como outro indicador da flexibilidade contratual de trabalho. Entre 2002 e 2013, cerca de 45% dos desligamentos aconteceram com menos de seis meses de vigência do contrato de trabalho, e em cerca de 65% dos casos nem sequer atingiram um ano completo.

No que tange aos motivos de desligamento, predomina quantitativamente o encerramento do contrato de trabalho ligado a fatores cuja motivação é tipicamente patronal. O volume desses desligamentos respondeu por 77,8% do total no início do período analisado, caindo para 68,3% no final. Portanto, ainda que tenha havido esta redução, mais de dois terços dos desligamentos reportam-se aos motivos estritamente patronais.

Considerando as razões que têm origem na motivação do trabalhador, chama a atenção o crescimento do desligamento a pedido, que ocorre em função de uma dinâmica positiva do mercado no período, com a criação de alternativas para a busca de postos de trabalho mais qualificados. Em 2002, 15,6% dos desligamentos ocorriam por iniciativa do trabalhador, e tiveram aumento de quase dez pontos percentuais, atingindo 25% em 2013.

Na análise dos atributos de escolaridade entre os trabalhadores, nota-se que entre os desligados há uma participação maior das faixas com menor escolaridade comparativamente aos vínculos ativos. Em 2003, vê-se que entre os vínculos desligados no ano, 36,3% possuíam ensino fundamental incompleto, contra 29,7% de participação entre os vínculos ativos. Em 2013, eram, respectivamente, 16,9% e 14,7%. Em relação aos trabalhadores com o ensino fundamental completo, suas participações foram de 23,4% e 20,8% nos vínculos desligados e ativos, respectivamente, em 2013. Adicionalmente, verifica-se que a participação dos trabalhadores com ensino superior foi de 7,8% nos desligados em 2013, contra 12,9% entre os ativos.

De modo geral, é possível perceber a tendência de aumento de escolaridade dos trabalhadores do segmento celetista ao longo do período analisado, com crescimento da participação dos segmentos de maior escolaridade, notadamente, o ensino médio completo e ensino superior completo, e redução de participação das faixas de menor escolaridade, ou seja, ensino fundamental, incompleto e completo. Essa tendência se verifica em ambos os tipos de vínculos, desligados ou ativos no ano.

Confira a rotatividade por setor de atividade em 2013

Construção Civil – taxa do setor: 115,0%; taxa descontada: 88,1%
Agricultura – taxa do setor: 88,8%; taxa descontada: 65,4%
Comércio – taxa do setor: 64,2%; taxa descontada: 42,1%
Serviços – taxa do setor: 59,6%; taxa descontada: 39,0%
Administração Pública – taxa do setor: 56,0%; taxa descontada: 48,5%
Indústria de transformação – taxa do setor: 52,4%; taxa descontada: 35,4%
Serviço Utilidade Pública – taxa do setor: 32,5%; taxa descontada: 21,5%
Extrativa Mineral – taxa do setor: 31,9%; taxa descontada: 21,1%

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Fonte: Rede Brasil Atual
Data original da publicação: 17/12/2014

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