Rodoviários e empresários realizam nova reunião de mediação no TRT nesta quinta

O 11º dia da greve dos rodoviários de Porto Alegre contará com uma nova reunião de mediação entre os trabalhadores e os empresários. O encontro ocorrerá às 15h, nesta quinta-feira (6), na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), e será dirigido pela desembargadora Ana Luiza Kruse, que conduziu também as tratativas anteriores.

A última reunião havia ocorrido na segunda-feira (3) e construído uma proposta de reajuste de 7,5%, que foi negada pelos rodoviários na assembleia de terça-feira (4). Na quarta-feira (5), a desembargadora tentou convocar uma nova mediação, mas os empresários se recusaram a comparecer.

Após o resultado da última assembleia dos rodoviários, os empresários endureceram o discurso e tomaram uma série de medidas práticas contra os grevistas. A primeira delas foi o corte no ponto dos dias parados. O salário depositado nesta quinta aos trabalhadores já possui esse desconto.

Os patrões também extinguiram o plano de saúde da categoria. Na explicação do gerente-executivo da ATP e do SEOPA, Luiz Mário de Magalhães Sá, o contrato com a operadora do plano venceu no dia 31 de janeiro e estava vigorando de forma emergencial até o dia 12 de fevereiro, enquanto durassem as negociações com os grevistas. Entretanto, a ATP considera que os trabalhadores romperam as negociações ao rejeitar a proposta de 7,5% de reajuste e, por isso, encerrou o contrato do plano de saúde. “Comunicamos ao gestor que não assumiríamos mais a responsabilidade por qualquer prorrogação e ele pediu que se comunicasse nas empresas a todos os rodoviários que estava suspenso o atendimento do plano”, informa. As empresas comunicaram o encerramento do plano na terça-feira.

Além disso, os empresários estão estudando mecanismos legais para verificar a possibilidade de demitir alguns trabalhadores grevistas. Líder do comando de greve, o rodoviário Alceu Weber avisa que “toda ação gera uma reação” e diz que “se demitirem um, terão que demitir 8,5 mil”.

Weber entende que a greve já extrapolou os limites da própria categoria e teme que, com as retaliações das empresas – que classifica como “idiotas, intransigentes e ignorantes” –, o movimento se radicalize ainda mais. “Tenho medo de uma radicalização total, que pode acabar acontecendo”, explica.

O rodoviário afirma que, caso as empresas não ofereçam um reajuste superior a 7,5%, a categoria pode decidir, em assembleia, retornar ao trabalho com as catracas liberadas. “Estamos querendo mais voltar a trabalhar do que eles nos querem trabalhando. Mas a categoria está muito insatisfeita e cansada. Vamos ter que chamar uma nova assembleia e podemos voltar a trabalhar e transportar todo mundo de graça. Devolver ao povo o que roubaram”, defende.

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Fonte: Sul 21
Data original da publicação: 05/02/2014

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