‘Retomada liberal’ de Guedes vai precarizar ainda mais o emprego, alerta Dieese

Guedes aplica medidas inspiradas no neoliberalismo da década de 1980. Fotografia: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, prepara plano para uma “retomada liberal” no pós-pandemia. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo de quarta-feira (24), são medidas de ajuste fiscal e de adesão à “economia” de mercado, que atendem recomendações da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre elas, um pacote de desoneração ainda maior do que o proposto no projeto da chamada carteira de trabalho “verde e amarela“, que não passou no Congresso Nacional.

Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, o intuito da equipe econômica do governo Bolsonaro é ampliar a precarização dos trabalhadores. Portanto, são medidas que vão na contramão das necessidades reveladas pela pandemia, incluindo a emergência do auxílio emergencial para garantir renda mínima a milhões de trabalhadores informais.

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual na manhã de quinta (25), Fausto afirmou que as visões econômicas liberais de Paulo Guedes são ultrapassadas. “Dá a impressão de que estamos olhando para Margaret Thatcher, no começo dos anos 1980.” Dessa vez, segundo a reportagem, a redução de encargos trabalhistas valeria para todos os trabalhadores. E não apenas para os jovens que procuram entrar no mercado de trabalho.

“O mundo inteiro está falando em injetar recursos”, acrescenta Fausto. “É fundamental que o Estado impulsione a economia neste momento. Mas a resposta que o ministro apresenta é mais perda de direitos. Talvez o Brasil nunca tenha vivido um ataque tão frontal aos direitos dos trabalhadores como nesse governo.”

Inversão

Pnad Covid19, divulgada ontem pelo IBGE, mostrou que 19 milhões dos 84,4 milhões de trabalhadores no país estiveram afastados do serviço em maio. Destes, 9,7 milhões (que representam 11,5% da população ocupada)0 passaram o mês sem remuneração. Além disso, o levantamento mostrou que 38,7% dos domicílios do país receberam algum auxílio do governo em consequência da pandemia.

Segundo Fausto, esses dados revelam a fragilidade do mercado de trabalho brasileiro. “O mais grave de tudo é que chegamos agora na última parcela do auxílio emergencial.” O governo tem cogitado pagar mais parcelas do benefício, mas com valor reduzido. “É fundamental que a gente mantenha o auxílio, inclusive para que a própria economia volte a circular”, defende.

Assista à entrevista:

Fonte: RBA
Data original da publicação: 25/06/2020

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