Relações de trabalho e relações no trabalho na lógica capitalista contemporânea: um olhar sobre atendentes do call center de uma empresa de telecomunicações

Autora: Mônica Duarte Cavaignac
Orientadora: Alba Maria Pinho de Carvalho
 Ano: 2010
 Tipo: Tese de Doutorado
 Instituição: Universidade Federal do Ceará. Departamento de Ciências Sociais. Programa de Pós-Graduação em Sociologia
 Repositório: Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – UFC
 Resumo: O presente trabalho consiste num olhar crítico sobre a realidade dos atendentes do call center de uma empresa de telecomunicações cuja privatização, no contexto da mundialização do capital e do ajuste neoliberal do Estado, trouxe consigo desemprego, aprofundamento das terceirizações, precarização das condições de trabalho e fragilização da organização sindical. Na condição de terceirizados, os chamados operadores de telemarketing mantêm instáveis relações de trabalho, marcadas pela subcontratação, alta rotatividade, baixos salários, discriminação em relação aos trabalhadores “primeirizados” e desrespeito à questão da saúde. Suas relações no trabalho se estabelecem sob um tipo de gestão que combina modernas tecnologias de controle da produtividade com antigas formas de vigilância do trabalho, baseadas na cobrança por resultados, pressão psicológica, assédio moral e constante ameaça de demissão. Trata-se de uma categoria de “infoproletários” formada, predominantemente, por jovens do sexo feminino, com ensino médio concluído e que buscam seu primeiro emprego, atraídos, muitas vezes, pela oportunidade de conciliar o trabalho com outras atividades, tendo em vista a jornada flexível, prolongada aos fins de semana e feriados. São mercadorias com curto prazo de validade, pois, com pouco tempo de uso, começam a desenvolver problemas físicos e psicológicos, devido ao ritmo intenso e estressante de trabalho. O call center torna-se, assim, um lugar de passagem na vida dos operadores, que por ali transitam provisoriamente, até conseguirem outra oportunidade no mercado ou serem descartados pela empresa, dificultando a formação da identidade coletiva e debilitando a capacidade organizativa dos sindicatos. Estes últimos, diante da terceirização e da conseqüente fragmentação da classe trabalhadora, assumem uma posição cada vez mais defensiva e corporativista, recuando no discurso e nas práticas de oposição à lógica do capital. Há, todavia, momentos de resistência, como a greve dos operadores de telemarketing de 2007, em que a categoria manifestou seu potencial contestatório e, apoiada por movimentos sociais, tentou mostrar à sociedade como funcionam os serviços de telecomunicações após a sua mercantilização: à base da exploração intensificada do trabalho e da degradação das condições de vida dos trabalhadores “flexíveis”. Flexibilização significa, de fato, tornar o capital mais livre e os trabalhadores mais vulneráveis, expondo-os a riscos e reduzindo suas perspectivas no “novo (e precário) mundo do trabalho”.
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