Rebaixamento da S&P reforça discurso pela reforma da Previdência

Rebaixamento da S&P reforça discurso pela reforma da Previdência
Agência com sede em Nova Iorque dita as regras da especulação financeira. Foto: NewsCom.

A agência de classificação de riscos Standard & Poor’s anunciou na quinta-feira (11/01) o rebaixamento da nota do Brasil, de BB para BB-, ainda dentro do espectro do grau especulativo e três abaixo grau de investimento seguro. O argumento, segundo o comunicado da S&P, foi porque o “governo Temer fez progressos menores que o esperado” e por não aprovar a reforma da Previdência ainda em 2017, acrescentando ainda o quadro de incertezas políticas do país.

A decisão interfere na economia porque torna os financiamentos externos para empresas do Brasil mais caros. A Standard &Poor’s está entre as três principais agências de risco contratadas pelo governo brasileiro (ao lado a Fitch Ratings e Moody’s), todas sediadas nos Estados Unidos e mantidas por agentes do mercado. Elas são especializadas em analisar para os clientes a capacidade de um país honrar dívidas de curto e longo prazo com notas que determinam desde o selo de bom pagador até o carimbo de elevado grau de mau pagador.

Em entrevista à Folha, o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale disse que a decisão da agência revela que o Congresso docilmente conseguirá passar a reforma da Previdência até fevereiro, já o diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman pontuou que a queda na nota pode servir “para que os parlamentares se atentassem da importância da reforma da Previdência”, apesar de arrematar que o impacto real da medida “deve ser nulo”, no debate político.

Na verdade, o rebaixamento era esperado desde o final do ano passado, mas segundo a S&P ela adiantou o anúncio para evitar fazê-lo mais perto das eleições, correndo o risco de ser acusada de interferir na campanha eleitoral. O comunicado também aponta o cenário fiscal ruim e a falta de perspectiva de melhora da economia ao longo de 2018 que pode se estender no início do próximo mandato presidencial.

O ministro Henrique Meirelles chegou a se reunir em dezembro com representantes S&P, Fitch Ratings e Moody’s pedindo mais tempo antes de tomarem alguma decisão. O que não funcionou, pelo menos para a S&P. É preciso aguardar agora se Fitch Ratings e Moody’s, vão seguir reduzindo a avaliação do Brasil.

Além da Previdência, o rombo fiscal e a repercussão do debate sobre a regra de ouro, que proíbe a União fazer dívidas para pagar gastos correntes, que o governo Temer tinha a intenção de suspender até 2026 e depois voltou atrás, teriam contribuído também na decisão da S&P.

Em abril 2008 o Brasil foi classificado pela primeira vez com o grau de bom pagador passando da categoria de especulação (BB+) para grau de investimento (BBB-) pela S&P, seguido pela Fitch Ratings, em março do mesmo ano e, somente em setembro de 2009, pela Moody’s. O Brasil começou a perder o grau de investimento durante crise política intensificada no governo Dilma, em 2015, inicialmente em setembro daquele ano pela S&P.

Fonte: Jornal GGN
Texto: Lilian Milena
Data original da publicação: 12/01/2018

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