Precarização do trabalho e saúde dos trabalhadores terceirizados

Autora: Pamella Beserra de Melo
Orientador: Cássio Adriano Braz de Aquino
 Ano: 2016
 Tipo: Dissertação de Mestrado
 Instituição: Universidade Federal do Ceará. Centro de Humanidades. Departamento de Psicologia. Programa de Pós-Graduação em Psicologia
 Repositório: Repositório Institucional UFC
 Resumo: A investigação aqui apresentada analisou como o trabalho repercute na saúde dos profissionais com vínculo terceirizado que atuam na Universidade Federal do Ceará (UFC). A pesquisa fundamenta-se na Clínica da Atividade e situa-se no campo da Saúde do Trabalhador; baseia-se na epistemologia qualitativa e desenvolveu-se como um estudo de caso derivado de intervenção efetivada no Almoxarifado Central da UFC. Todo o material produzido na intervenção foi utilizado para a construção do corpus pertinente ao caso analisado. Tal delineamento corrobora a perspectiva teórica mencionada para a qual, primeiro, realiza-se a intervenção para, em seguida, dar-se início à pesquisa. Assume-se que cada um desses momentos tem temporalidades e objetos diferentes, guardando uma relação de mútua independência. A intervenção compreendeu três etapas: 1) formação do grupo de análise, no qual foram realizadas observações, entrevistas, análises documentais e filmagens; 2) autoconfrontações simples e/ou cruzadas, durante as quais os trabalhadores foram confrontados com o registro audiovisual de suas atividades; e 3) retorno ao grupo inicial. A metodologia da pesquisa se deu a partir da videografia. Para análise dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo construtiva-interpretativa de González Rey. Adotou-se como unidade de análise a atividade triplamente dirigida (para o objeto, pelo sujeito e para o outro). Considera-se a pertinência do estudo, uma vez que nos encontramos num contexto marcado por retrocessos no mundo laboral, em que práticas arcaicas de gestão e controle da mão de obra e da produção coexistem com tendências “inovadoras” que vulnerabilizam a classe trabalhadora, representando uma ameaça ao trabalho em seu caráter ontológico e aos direitos dos trabalhadores. Objetiva-se que a pesquisa contribua para formulação de ações voltadas à saúde do trabalhador e ao desenvolvimento do seu poder de agir, bem como desnude as vulnerabilidades a que estão submetidos os trabalhadores que possuem vínculos laborais precários. Desta forma, em relação às condições de trabalho, percebeu-se que os trabalhadores com vínculo terceirizado estão mais sujeitos a situações de vulnerabilidade, e seu universo de trabalho é permeado por situações de risco à saúde e à segurança. Constatou-se ainda estarem eles mais suscetíveis a situações de assédio, ameaça, desrespeito, preconceito, autoritarismo devido à instabilidade do vínculo; estavam subordinados também a condições inadequadas ao desenvolvimento de suas atividades, como ambiente empoeirado, mal iluminado e sem ventilação, com estrutura precária e antiga, além da carência de materiais em boas condições e/ou da utilização de equipamentos inapropriados para tal. Assim, pôde-se perceber que na atividade dos sujeitos pesquisados vários empecilhos são impostos a sua ação, porém, através de um modelo de gestão participativo, eles encontraram as possibilidades de desenvolvimento do poder de agir e da construção da saúde, fortalecendo o coletivo profissional, que passou a reconhecer-se enquanto grupo, ao discutir e debater as dificuldades e sugestões possíveis para realização de um trabalho bem feito. Observou-se, ainda, através da participação ativa dos trabalhadores nas mudanças empreendidas no setor investigado, melhorias tais como redefinição das atribuições e tarefas de cada trabalhador, dinamização e maior fluidez dos processos de trabalho, realização de reuniões sistemáticas com a participação e envolvimento de todos os profissionais do setor, ouvindo-se as sugestões e questionando-se coletivamente as problemáticas em pauta.
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