Por que os bons empresários não querem extinguir a Justiça do Trabalho?

Por que os bons empresários não querem extinguir a Justiça do Trabalho?
Imagem: CUT/Reprodução

Quem não consegue viver de acordo com a lei quer destruir as estruturas que a fazem cumprir. Há carga tributária excessiva sobre a folha de salários? Não estimulamos atividades que mais contratam empregados? A estrutura de recolhimentos é complexa e burocrática? Tendo a concordar com tudo isso, mas não se resolve a essência com desvios, bravatas e terrorismo.

Rodrigo Trindade

Fonte: Revisão Trabalhista
Data original da publicação: 17/01/2019

Em reportagem recente da Revista Exame, esclareceu-se que “extinção da Justiça do Trabalho” não está na pauta do empresariado nacional. É claro que não está. Já disse diversas vezes, e repito: extinguir ou reduzir a Justiça do Trabalho somente interessa à minoria gritona de empresários desonestos; os incapazes de se inserir no mercado com competitividade, sem se valer de falcatruagens.

Se para lucrar, sua empresa depende de “dar voltinhas na lei”, vai uma consultoria na faixa : fecha logo e vai procurar a felicidade em algo que lhe faça feliz e esteja de acordo com seus talentos. Sua empresa não tem futuro, nem para você, nem para quem você firmou contrato (clientes, fornecedores, financiadores e empregados). Ou siga empreendendo e troque de ramo, invista em algo realmente lucrativo, em que possa incorporar ao investimento mais lucro no preço da mercadoria/serviço. Lembre-se: empresa viável nem paga imposto nem faz caridade com funcionário; quem paga é o consumidor final; empresa repassa o imposto e verbas trabalhistas e previdenciárias; e se não está no preço da mercadoria/serviço você está fazendo algo bem errado.

Quem não consegue viver de acordo com a lei quer destruir as estruturas que a fazem cumprir. É por isso que ladrões, estelionatários e traficantes detestam a justiça criminal; corruptos, lavadores de dinheiro e apropriadores de salários de assessores difamam a justiça eleitoral. Quem ruge contra a justiça do trabalho são os escravocratas, os aproveitadores de trabalho infantil e os sonegadores contumazes de verbas previdenciárias e trabalhistas.

Há carga tributária excessiva sobre a folha de salários? Não estimulamos atividades que mais contratam empregados? A estrutura de recolhimentos é complexa e burocrática? Tendo a concordar com tudo isso, mas não se resolve a essência com desvios, bravatas e terrorismo.

Talvez seja o momento de realmente atacar essa ignóbil cultura do descumprimento e que tanto nos atrasa. Se a lei realmente é para todos, que seja toda a lei e absolutamente para todos.

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