Pela primeira vez no ano, gregos realizam greve geral de 24h contra medidas de austeridade

Sindicatos e diversos setores da sociedade civil grega realizaram na quinta-feira (12/11) a primeira greve geral de 24h no país desde que o partido de esquerda Syriza, do primeiro-ministro, Alexis Tsipras, assumiu o país em janeiro deste ano.

Segundo o jornal grego Ekathimerini, a greve foi convocada pelos principais sindicatos do setor público e privado. Eles protestam contra uma nova rodada de aumentos de impostos  e de cortes de gastos públicos, relacionados ao terceiro pacote de resgate — assinado por Tsipras há três meses — acenando para um descontentamento com as medidas de austeridade.

Cerca de 25 mil pessoas marcharam pelo centro de Atenas, em três manifestações separadas. De acordo com números da polícia local, uma marcha de um sindicato comunista reuniu 15 mil; enquanto 4 mil ou mais participaram de uma manifestação sindical e outras 5 mil se juntaram em um protesto organizado por grupos anarquistas. Além disso, houve outra grande mobilização, com ao menos 10 mil, em Thessaloniki – a segunda maior cidade do país.
Como resultado, todos os serviços públicos foram fechados, incluindo hospitais, escolas, bancos e museus. O metrô de Atenas será fechado durante todo o dia, bem como os trens suburbanos. A rede de ônibus da capital funcionará em período reduzido e não haverá conexões de ferry entre o continente e as ilhas. Companhias aéreas como Aegean Airlines e Olympic Air também anunciaram cancelamentos de voos para esta quinta-feira.

“Quando o salário médio já foi reduzido em 30%, quando os salários já são inaceitavelmente baixos, quando o sistema de segurança social está em risco de colapso, não podemos nos sentar e nos calar”, disse ao The Guardian Grigoris Kalomoiris, um dos líderes do  Adedy, sindicato dos funcionários públicos da nação.

“Eu acredito que as greves podem se transformar em um bumerangue para o trabalhador, mas há momentos em que as pessoas precisam reagir”, afirmou o aposentado Yannis Nikolaidis à AP enquanto marchava no protesto perto do Parlamento da Grécia. “Este é o momento em que as pessoas precisam reagir. Basta de impostos e de conversa fiada. Eles precisam nos deixar respirar.”

Syriza

Para o Syriza, a greve geral é vista com simpatia e trata-se de uma mobilização contra “as políticas neoliberais e à chantagem dos centros financeiros e políticos, dentro e fora da Grécia”, afirmou o partido em nota.

Em janeiro, Tsipras chegou ao poder com o discurso que a “austeridade era coisa do passado” e prometeu fazer frente aos credores internacionais para renegociar a dívida pública. Ele ainda não fez declarações sobre a atual paralisação.

Após um referendo, em julho, em que mais de 60% da população pediu o “não” a um acordo de austeridade, o premiê chegou a renunciar e a convocar eleições antecipadas, mas foi reeleito em um mandato para implementar um terceiro pacote de resgate no valor de 86 bilhões de euros com instituições financeiras europeias, em troca de medidas de cortes orçamentários.

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Fonte: Opera Mundi
Data original da publicação:12/11/2015

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