Para enfrentar crise climática, será preciso reduzir radicalmente as horas de trabalho

Para enfrentar crise climática, será preciso reduzir radicalmente as horas de trabalho
Protesto do movimento ambientalista Extinction Rebellion na ponte de Waterloo, em Londres. Jornadas de trabalho mais curtos são necessárias na Europa, concluiu o estudo. Fotografia: Amer Ghazzal/Rex/Shutterstock

Para evitar o anunciado aquecimento climático desastroso, os europeus precisarão trabalhar muito menos horas por semana, a menos que haja uma descarbonização radical da economia, aponta um estudo.

A pesquisa foi feita pelo instituto Autonomy e mostra que os trabalhadores no Reino Unido, por exemplo, precisariam adotar uma semana de nove horas de trabalho para que o país não ultrapasse 2ºC de aquecimento nos níveis atuais de intensidade de carbono. Reduções semelhantes são consideradas necessárias na Suécia e na Alemanha.

As conclusões são baseadas nos dados da OCDE e da ONU sobre as emissões de gases de efeito estufa por setor industrial nos três países. Constatou-se que, com os níveis atuais de emissões, os três países precisariam de uma redução drástica nas horas de trabalho semanais, bem como de medidas urgentes para descarbonizar a economia, a fim de evitar o colapso do clima.

Will Stronge, diretor do instituto, disse que a pesquisa destacou a necessidade de incluir reduções nas horas de trabalho entre os esforços para lidar com a emergência climática.

“Transformar nossa sociedade em sustentável vai exigir uma série de estratégias – uma semana de trabalho mais curta sendo apenas uma delas”, disse. “Este trabalho e outras pesquisas de campo em desenvolvimento devem nos dar muito material para pensar, confirmando a urgência de um New Deal Verde e apontando como ele deve ser.”

O trabalho enfoca as emissões produzidas por setor industrial em cada economia, mas não leva em conta outras vantagens ambientais da redução da carga de trabalho, de menor deslocamento a menos bens produzidos e recursos utilizados.

Há um apoio crescente, nos EUA e na Europa, ao chamado New Deal Verde, que visa a uma rápida descarbonização da economia e à criação de empregos sustentáveis, seguros e bem pagos. A aceleração da automação também faz aumentar a demanda por semanas de trabalho menores.

Emma Williams, porta-voz da campanha 4 Day Week, disse que o relatório divulgado esta semana confirma e acentua a ligação entre automação, redução da carga de trabalho e emergência climática.

“Parabenizamos este esforço da Autonomy em lidar com as mudanças concretas que a sociedade precisará fazer para viver dentro dos limites do planeta”, disse ela.

“Além de melhorar o bem-estar, promover a igualdade de gênero e aumentar a produtividade, trabalhar menos também é fundamental para atenuar as mudanças climáticas”.

Segundo Stronge, os avanços tecnológicos somados à emergência climática fazem com que uma semana de trabalho mais curta seja hoje não apenas viável, mas essencial.

“O ritmo acelerado da tecnologia, exigindo menos mão-de-obra, põe em foco a possibilidade de uma semana de trabalho mais curta para todos, se implantada adequadamente”, disse ele. “Enquanto a automação mostra que menos trabalho é tecnicamente possível, as pressões crescentes sobre o meio ambiente e sobre o orçamento de carbono disponível apontam que a redução da semana de trabalho é, na realidade, necessária”.

Fonte: Carta Maior, com The Guardian
Texto: Matthew Taylor
Tradução: Clarisse Meireles
Data original da publicação: 23/05/2019

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