Os efeitos da crise econômica de 2015-2017 sobre o mercado de trabalho brasileiro

Lauro Mattei

Fonte: ASSOCIAÇÃO KEYNESIANA BRASILEIRA. Dossiê V da AKB: “O Brasil pós-recessão: das origens da crise às perspectivas e desafios futuros”. AKB, 2018. p. 113-123.

Resumo: Neste texto discute-se a evolução do desemprego no Brasil a partir de 2015, quando a economia do país entrou em crise. Inicialmente apresenta-se a trajetória do desemprego entre 2003- 2014, destacando-se 2014 como sendo o período em que o país obteve a menor taxa já registrada. A partir de 2015 esse indicador voltou a crescer fortemente, atingindo todas as grandes regiões e setores de atividade econômica. Mesmo o pequeno crescimento econômico ocorrido no segundo semestre de 2017 não foi suficiente para reverter a tendência do desemprego, que voltou a crescer no primeiro trimestre de 2018. Com isso, mais de 13 milhões de trabalhadores encontram-se desempregados atualmente no Brasil, com efeitos diretos sobre a esfera social, cujos indicadores de pobreza voltaram a crescer nos três últimos anos.

Sumário: Introdução | 1. Breves notas sobre reconfigurações recentes no mundo do trabalho no Brasil | 2. A expansão do desemprego como efeito da crise econômica | 2.1 A expansão do emprego até 2014 | 2.2 O retorno do desemprego a partir de 2015 como efeito da crise econômica | 2.3 A continuidade da expansão do desemprego em 2018 | Conclusão | Referências Bibliográficas

Introdução

Analisando o funcionamento do mercado de trabalho numa perspectiva histórica, observa-se que ele sempre esteve submetido ao comportamento geral da estrutura produtiva, a qual se transforma e também é transformada por fatores estruturais e conjunturais, especialmente em períodos de crise econômica. Tais aspectos sugerem que as análises devam partir e/ou considerar as configurações mais gerais dos sistemas produtivos contemporâneos para analisar os possíveis impactos deles sobre o mercado de trabalho de um determinado país.

No caso brasileiro, vimos que o ritmo de crescimento da economia entre 2003 e 2014 teve contribuição decisiva para a geração e expansão de postos de trabalho, sobretudo no mercado formal. Neste caso, observou-se que os Postos Formais de Trabalho (PFT) cresceram aproximadamente 68% entre 2003 e 2014. Contudo, com a emergência da crise econômica a partir de 2015, houve uma retração das atividades econômicas, com efeitos diretos sobre o mercado de trabalho brasileiro, desfazendo-se a conjuntura favorável que predominou no período 2003-2014. Com isso, nota-se que nos últimos três anos (2015-2017) as taxas de desemprego cresceram em praticamente todos os setores de atividades econômicas, destacando-se a enorme redução das ocupações formais de trabalho após 2014.

Neste sentido, o presente texto analisará os efeitos da crise econômica entre 2015-2017 sobre o mercado de trabalho brasileiro, abordando duas dimensões: por um lado, serão discutidos os impactos da crise sobre o mercado de trabalho agregada e regionalmente e, por outro lado, serão analisados os efeitos da crise sobre o mercado formal de trabalho. Em ambas as dimensões será analisado o comportamento dos distintos ramos de atividade, como forma de identificar os efeitos da crise econômica sobre o mercado de trabalho em cada setor de atividade econômica.

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Lauro Mattei é professor da UFSC.

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