Ocupação perde ritmo no final de ano

Ocupação perde ritmo no final de ano

Eduardo Miguel Schneider

Após seis meses em crescimento, o número de ocupados permaneceu relativamente estável em novembro, movimento não usual para o período, no qual se esperaria a ampliação da contratação no comércio em vista da expansão das vendas com a entrada do 13º salário na economia e a proximidade das festividades de final de ano. Chegou inclusive a cair o número de ocupados no comércio no último mês. Uma possível explicação para esse fenômeno é a antecipação das contratações no comércio para as vendas de final de ano, dada a menor disponibilidade relativa de trabalhadores qualificados no mercado de trabalho que vem ocorrendo com a redução do desemprego. Ou seja, contrata-se antes pois com isso há mais tempo para treinar o novo funcionário antes do período de “pico” das vendas.

Novembro registrou crescimento de 44 mil trabalhadores na condição de ocupados no mercado de trabalho metropolitano brasileiro (0,2%). Essa leve expansão na ocupação, combinada com a saída de 19 mil trabalhadores do mercado de trabalho, determinou a redução de 63 mil pessoas na condição de desempregado, que passou a ser estimado em 1,981 milhões de pessoas no conjunto das seis áreas metropolitanas pesquisadas [*].

Desse modo, a taxa de desemprego total no espaço metropolitano brasileiro apresentou ligeira redução, movimento que se repete pelo quarto mês consecutivo, ao diminuir de 9,8% da PEA (População Economicamente Ativa) em outubro para 9,5% em novembro.

Também a tendência da taxa de desemprego total metropolitana brasileira foi de redução: em novembro de 2012 a taxa havia sido de 9,9% da PEA (frente aos atuais 9,5%). Mas tal diminuição do desemprego metropolitano não se distribuiu homogeneamente nas regiões: houve diminuição em Salvador, São Paulo, Porto Alegre e Fortaleza, aumentou em Belo Horizonte e foi mantida relativa estabilidade no Recife.

O gráfico acima mostra o desempenho conjuntural no mês e a tendência nos últimos 12 meses da taxa de desemprego nas seis regiões investigadas.

O rendimento médio real dos ocupados aumentou 1,6% em outubro e encerrou o período em R$ 1.643. A tendência nos últimos 12 meses também foi de aumento: entre outubro de 2012 e de 2013 o rendimento médio real dos ocupados cresceu 1,3%.

Nos últimos 12 meses, findos em outubro de 2013, a massa de rendimentos reais dos ocupados aumentou 2,7%, como resultado da elevação do rendimento médio e do nível de ocupação. A massa de rendimentos dos ocupados é a soma de todos os salários e remunerações que os indivíduos recebem pelo seu trabalho e revela o potencial de consumo de uma economia. Nesse sentido, a expansão da massa de rendimentos, como ocorrida no último ano, é positiva, não obstante a magnitude da sua expansão esteja muito aquém da experimentada anos anteriores.

Os resultados dos últimos meses do ano confirmam que o ritmo da retomada do emprego esperada para o segundo semestre pelos padrões sazonais da economia não se verificou na intensidade observada em outros anos. A taxa de crescimento da ocupação nos últimos 12 meses foi de 0,7% (novembro). No mesmo mês do ano anterior, ano em que o PIB expandiu-se apenas 0,9%, a taxa havia sido superior (1,8%).

Ou seja, até então, corrobora-se a expectativa que vinha sendo delineada nos últimos meses: o ano possivelmente se encerrará com desempenho sensivelmente positivo no mercado de trabalho: ocupação em leve crescimento, taxa de desemprego em ligeiro declínio e rendimentos com pequeno aumento. Não obstante esses resultados possam parecer tímidos se tomados no horizonte anual, o efeito cumulativo de tal desempenho positivo ao longo dos últimos anos impacta muito positivamente o mercado de trabalho, particularmente sobre a questão salarial e da distribuição de renda, as quais ainda precisamos muito avançar no Brasil.

Maiores informações: http://www.dieese.org.br/analiseped/ped.html

Nota

[*] Regiões metropolitanas da pesquisa: Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.

Eduardo Miguel Schneider é mestre em Economia do Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); especialista em Gestão Pública Participativa pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

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