Metalúrgicos da GM aprovam suspensão dos contratos com redução salarial

“Este, certamente, não é o melhor acordo, mas estamos num cenário em que os patrões saíram fortalecidos por conta da MP do governo Bolsonaro“, disse o vice-presidente da entidade, Renato Almeida. Fotografia: Ford

Com quase 80% dos votos, os trabalhadores na General Motors em São José dos Campos, no interior paulista, aprovaram proposta de suspensão de contratos com redução salarial, durante pelo menos dois meses. O acordo, criticado pelo Sindicato dos Metalúrgicos, se baseia na Medida Provisória 936, que é objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com o sindicato, votaram 3.189 de um total de 3.550 funcionários da fábrica. Foram 2.496 a favor da proposta (78,3%) e 630 contra, com 63 abstenções. Foi a primeira vez que a entidade usou esse sistema – os metalúrgicos tinham de entrar na página do sindicato na internet, em um campo específico, no qual deveriam dar seu número de registro ou chapa para ter direito a voto. O processo ocorreu de quarta-feira até as 22h do dia 9.

O acordo entra em vigor na segunda-feira (13) e atingirá, segundo o sindicato, 90% dos trabalhadores. Durante esse período, eles terão garantia no emprego. Aqueles que recebem até R$ 2.090 líquidos terão direito a 95% do total de seus salários. Na faixa seguinte, até R$ 5.000, 90%. Na sequência, os funcionários que ganham até R$ 10.000, 85%. Até R$ 20.000, 80% e acima desse valor, 75%.

Se ao final dos dois meses, a empresa avaliar que é necessário, poderá adotar o sistema conhecido como lay-off, outra modalidade de suspensão dos contratos, por 90 dias. O sindicato avalia que a empresa, líder de vendas no setor automobilístico, teria condições de manter os salários na íntegra, mas afirma que respeita a decisão dos trabalhadores. 

“Este, certamente, não é o melhor acordo, mas estamos num cenário em que os patrões saíram fortalecidos por conta da MP do governo Bolsonaro“, disse o vice-presidente da entidade, Renato Almeida. “O sindicato defende a adoção de licença remunerada para todos, sem redução de salário, mas quem decide é o trabalhador”, acrescentou.

Outras fábricas querem reduzir

Outras empresas da base querem adotar o sistema. O sindicato vai usar a votação virtual para submeter uma proposta aos funcionários da Embraer. A MWL, em Caçapava, também propôs suspensão dos contratos, com redução de 50% no salário e na jornada. Com uma complementação paga pelo governo, as perdas iriam de 5% a 32%, segundo os metalúrgicos. Foi marcada nova reunião para quarta-feira (15).

A TI Automotive, também em São José, propôs suspensão dos contratos para horistas (produção) e parte dos mensalistas (administrativo), com pagamento integral do salário líquido. Para outra parcela dos mensalistas, seria adotado o regime de home office, com redução de 25% na jornada e nos salários.

Outros sindicatos também enfrentam essa discussão. A proposta da GM, por exemplo, já havia sido aprovada em São Caetano (SP) e em Gravataí (RS). Hoje, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC faz votação remota na Toyota, de São Bernardo.

Fonte: RBA
Data original da publicação: 10/04/2020

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